Três dias após as eleições municipais, a cidade de Uberaba respira aliviada com o fim da tensão política que a antecedeu, especialmente pelas diversas ocorrências relacionadas, incluindo nela, não se pode negar, a desistência e a impugnação de candidatos à Prefeitura.
Não se pode negar, que a maior surpresa residiu no cancelamento da chapa da candidata Angela Mairink, considerando a decisão do juiz Habib Jabour, que julgou improcedente o pedido de registro da candidatura, por conta da substituição da candidata a vice-prefeita, Maria Cândida Furtado, fora do prazo legal, e também por não ter demonstrado que o PT (Partido dos Trabalhadores), membro de sua coligação, tivesse aprovado esta substituição.
Tudo isso, porque a candidata a vice-prefeita, Oscarina Abadia Silva, inicialmente lançada, teve o seu nome indeferido pelo TRE/MG, por apresentar antecedentes impeditivos.
Ora, fácil perceber que faltou à candidata e àqueles que organizavam a sua candidatura, a gestão da boa técnica, ou seja, profissionalismo suficiente para conduzir o processo eleitoral em nível de observância às regras básicas de legalidade.
Tal falha causou estranheza, principalmente, porque a postulante ao cargo é advogada, detentora de conhecimento das normas que regulam todo o procedimento técnico-político, pelo menos, assim deveria. Além disso, agrava-se o fato por ser esposa de Anderson Adauto, político experiente, que já colacionou diversos cargos públicos, dentre eles, o de secretário no governo do então prefeito Wagner do Nascimento (1983), deputado estadual, deputado federal, ministro dos Transportes do então presidente Lula, e duas vezes prefeito de Uberaba.
Sem qualquer tom de crítica direta à candidata, e ao seu esposo, o presente artigo possui tom de alerta frente fraco nível técnico, que se encontram milhares de políticos espalhados por todo o País. Muitos deles, se chamados a uma banca de avaliação com questões básicas sobre funções e prerrogativas, serão reprovados. É de causar expectativas as respostas que poderão surgir, por exemplo, sobre orçamento participativo, parcerias público privadas, dentre outras.
É fato, que o povo encontra-se angustiado com os rumos que o nosso País tem tomado, o desespero frente ao desemprego de 12 (doze) milhões de brasileiros, a alta inflação, a desilusão dos empresários frente a falta de estímulo governamental, inclusive fiscal. Todos estes fatos, se somados à falta de preparo dos nossos políticos, podem nos levar a uma depressão, político-econômica, sistêmica.
Enfim, os eleitores deixaram o seu recado nesta última eleição, seja por não votarem em candidatos de partidos envolvidos no Mensalão, Operação Lava-Jato, e em especial, por excluir do Executivo e Legislativo municipais pessoas envolvidas, diretas ou indiretamente, com a corrupção. O recado foi deixado, e que seja o marco referencial da mudança política do nosso País.
(*) Advogado, Consultor Jurídico, e Autor Intelectual. Membro do IAB - Instituto Brasileiro de Advogados. Pós-Graduado e Mestre em Direito