ARTICULISTAS

Tempestade sem fim

Basta sentar em um banco da praça, na mesa de trabalho ou até mesmo com a família...

Paulo Leonardo Vilela Cardoso
Publicado em 02/12/2015 às 20:23Atualizado em 16/12/2022 às 03:09
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Basta sentar em um banco da praça, na mesa de trabalho ou até mesmo com a família nos fins de semana para colocar em prosa o assunto que não sai da boca dos brasileiros nestes últimos meses, a corrupção e a má gestão política.

Esse redemoinho de mazelas parece crescer dia após dia, sem dó, e sem piedade, trazendo a cada um de nós uma sensação de descrédito nunca vista antes nestes últimos anos. Aliás, se Getúlio Vargas soubesse das mandraquices que apareceriam no curso do tempo, com certeza pensaria duas vezes antes de puxar o gatilho, e Jânio Quadros, nem de longe teria pensado em renunciar.

Atualmente, e em pouco mais de duas semanas assistimos ocorrer um dos maiores desastres ambientais ocorridos em nosso continente, derivado do rompimento de duas barragens de rejeitos e lama mantidos pela empresa de mineração Samarco S/A.

Como se não bastasse, ouvimos, de queixo caído, a conversa gravada do senador Delcídio do Amaral onde ofereceu ajuda financeira para a família do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, a fim de convencê-lo a não fechar a delação premiada com o Ministério Público Federal.

Na mesma esteira, chegaram ao noticiário as tramas dos financiamentos concedidos pelo BNDES ao pecuarista José Carlos Bumlai, conterrâneo e amigo do senador Delcídio do Amaral para pagar dívidas de partidos e familiares de políticos.

Nessa tsunami, vêm a reboque as notícias de que União, Estados e Municípios registraram um déficit de R$40,9 bilhões de reais, aliado ao encolhimento do PIB, registrando a pior recessão desde a criação do Plano Real. A dívida governamental é tão grande que o governo efetuou o corte orçamentário destinado à Justiça Eleitoral para realização das eleições municipais de 2016, o que pode provocar transtorno para aquisição de novas urnas eletrônicas.

Enquanto isso, no Congresso, o Conselho de Ética vota pela admissibilidade do processo de afastamento do deputado Eduardo Cunha, ao mesmo tempo em que ele, enquanto presidente da Mesa, ameaça votar o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Tudo isso sem contar os processos que investigam as pedaladas fiscais, e o financiamento da campanha eleitoral de 2014.  

Diante desse mar de lama, não aquele derivado da barragem de Mariana/MG, o que muito já nos comove, mas sim aquele destes desastres políticos deflagrados por má gestão, corrupção e improbidade, os brasileiros assistem revoltados e angustiados essa tempestade que parece não ter fim, principalmente por afetar a todos diretamente, face o gradual aumento da inflação e do desemprego.

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