Ela vai tentar retomar o relacionamento pela vigésima terceira vez, até o IBGE resolveu “constatar” este fenômeno em seu banco de dados, entrou para medir este alarmante número. Brincadeiras à parte, fica sempre a dúvida: será que devo ou não insistir com isso? Até que ponto tentar é saudável para uma relação? Devemos, ou não, insistir naquele serviço estafante ou naquela faculdade que é orgulho da família, mas deprimente para mim?
Os chamados “especialistas” afirmam que saber diferenciar estas duas palavras vem com o tempo, aprender neste caso demanda “vivenciar”, uma verdadeira “pesquisa de campo social”. Até porque nem sempre o dicionário vai te explicar exatamente o real significado das coisas. Estar feliz ao fim desta “maratona” é o sinal que você fez o percurso corretamente. Às vezes correu, trotou, deu uma paradinha para beber água. Mas não ficou parado. O importante neste caso é não estacionar na dúvida, você sabe bem que certas coisas só você pode resolver.
Uma amiga mudou de faculdade pela terceira vez, fala isso com toda sinceridade que a experiência de “tentar” lhe concedeu. Não estava contente, não se achou; entre todos os livros que estes cursos lhe proporcionaram, nenhum a tocou, a fez querer seguir em frente. Não por falta de vontade, pura e simplesmente. Não deu e ela soube constatar isso a tempo. Respeitar o seu próprio tempo é um dos modos de saber diferenciar “tentar” de “insistir”.
Quer coisa mais chata que acordar e ir trabalhar naquilo que não se gosta? Isto sim que é insistir. Nem sempre vai dar para fazer tudo com prazer, mas estar bem com seu trabalho é referencial de felicidade. Insistir naquilo que te dá um excelente salário nem sempre é tão rentável assim. Analise: suas segundas-feiras de mau humor nem sempre são ressacas de um ótimo fim de semana.
Você às vezes pode fazer de tudo para salvar um namoro, casamento, noivado. Fez tudo, né? Conversou, gritou, chorou, mas não deu. A respiração boca a boca sentimental do dia a dia não deu certo, aquele coração não batia mais, enfim, tentou, beirou a insistência. Eu disse beirou. Amor próprio conta muito! Nem é questão de egoísmo, é saber respeitar o que acabou. Na balança da vida, a solidão sentimental não deve pesar mais que nossa autoestima. Insistir ou tentar é realmente uma estrada de encruzilhadas. Cabe a nós decidir o caminho a seguir.