Futebol não é ciência exata e, por isso, proporciona discussões acaloradas. Claro que algumas ideias são de consenso da maioria dos apaixonados pelo esporte. Algumas dessas teorias conflitantes, mais do que nos faz pensar, mesmo discordando, surgiu em um bate-papo com José Mário Pavan, presidente do União São João de Araras, há 27 anos no cargo, em entrevista para uma emissora de rádio. O telefonema foi feito em busca de informações sobre a possível venda do atacante Luan, do São Caetano, mas que possuía 40% dos seus direitos econômicos vinculados ao União – na torcida por um desfecho feliz para que pudesse lucrar. Aproveitando a deixa, o repórter perguntou sobre a situação do clube de Araras, o qual depois de anos amargando rebaixamentos e decepções, lidera a Série A-2 do Paulistão, e tem boas chances de voltar à elite do Campeonato. Zé Mário afirmou que vive 90% das negociações de jogadores. Aliás, o celeiro de revelações conta em sua história com craques como Roberto Carlos e Velloso, entre outros. Porém, como não é diferente em outros times do Interior brasileiro, o futebol moderno não deixa os clubes menores lucrarem tanto como os empresários. Até aí, nenhuma novidade. Quando o dirigente lançou: “Sabe qual o melhor futebol do mundo? O uruguaio. É um país de apenas três milhões de habitantes e que exporta quase o mesmo número de jogadores para a Europa que o Brasil, com 180 milhões”. Analiso essa proporção e penso o quanto um país continental como o nosso possui de vantagens nas diversidades da população sobre uma Itália, por exemplo. O presidente do União falou que a redução do número de times e competições foi catastrófico para o Brasil. Segundo ele, com poucas equipes na disputa e um número alto de times rebaixados, os clubes menores têm medo de lançar jogadores inexperientes. Caso isso não acontecesse, teríamos mais craques e uma superioridade absoluta da Seleção Brasileira. Será uma conspiração para brecar nossa hegemonia? Depois de criticar as fórmulas de disputas dos principais campeonatos do Brasil, Zé Mário, presidente do União São João, elogiou a iniciativa da Federação Paulista de Futebol em realizar a Copa Paulista. Pois, para o dirigente, a competição, que possui rebaixamento, serve como um laboratório para clubes menores. Além das teorias citadas nesta coluna, o mandatário do alviverde de Araras também foi inovador na prática. Sob o amparo da Lei Zico, que antecedeu a Lei Pelé, o União foi o primeiro a se transformar em clube-empresa, em meados de 1994. A gestão foi um sucesso, tanto que dois anos depois o time conquistou a Série B do Brasileiro.