Caro leitor, continuo respirando, pela graça e com a graça do Criador. Não tem sido nada fácil. Vamos direto ao tema acima ventilado. Você liga a televisão, o rádio, ou, ainda, lendo jornal, lá está o assunto do moment temos que punir, tem que endurecer a lei penal, tem que aumentar as penas, criar prisão perpétua, pena de morte, amarrar bola de aço nas pernas do réu, etc e etc. O governador Geraldo Alckmin, de São Paulo – PSDB – está defendendo o uso da guilhotina e, mais ainda, diante de tantas perplexidades que anda vendo, entende o ilustre governador que vai faltar o valioso instrumento no combate de tantas mazelas. Esse é um discurso muito fácil de pregar e defender, a imensa maioria aplaude. Essa atitude da sociedade é compreensível diante dos altos índices de criminalidade; qual família ou grupo de amigos que não tenha uma vítima de assalto, furto, estupro, sequestro relâmpago, homicídio? Na minha família, e já disse isso neste espaço, tenho irmãos vítimas de assalto; uma cunhada vítima de sequestro relâmpago; eu mesmo, aqui na “terra do zebu”, por duas vezes, quase fui vítima de assalto, em plena rua Major Eustáquio. Sofri um tremendo dum susto, na segunda vez, um menor totalmente noiado, portando e mirando um trinta e oito em minha direção. Não fiz aquele negócio nas calças porque não tinha o produto pronto no intestino grosso, entendeu? Também, não verteu água entre as pernas porque momento antes a bexiga foi esvaziada. Do contrário, este causídico teria sido motivo de manchete neste matutino, no programa do Carlos Paiva, Tony Carlos e no Boca Livre do Moura Miranda. Fora as piadinhas nos botecos da city. Daí, é muito fácil defender o discurso de punir pelo simples fato de punir e, mais ainda, punir num patamar bem inferior ao crime praticado pelo réu. Punir desta maneira é um verdadeiro retrocesso, uma barbárie, uma vingança estatal. Agir desta maneira é voltar às eras do homem da caverna; punir impingindo dor física e moral não só ao autor do crime, mas também aos seus familiares. E é justamente isso que está ocorrendo nos nossos presídios, com raras e honradas exceções. Aqui na terrinha, já tivemos e temos denúncias de casos de “suicídios”, homicídios, assédios, espancamentos, falta de médicos, odontólogos, remédios etc etc. O sentimento geral é de que tem quer ser assim, cometeu um crime tem que pagar, custe o que custar e dane-se como a pena é executada! Caro leitor, hoje é “ele” que está lá; amanhã poderá ser você, alguém da sua família, um amigo, um conhecido, sei lá quem. Não pense você que está imune a qualquer tropeço da vida, aos desatinos, aos desígnios do destino, a um erro do Judiciário. Viram os negros do Central Park nos Estados Unidos? Foram inocentados. Lembra-se dos irmãos Naves, da cidade de Araguari, nos idos de 1938? Quanta maldade e injustiça. Cuidado, você que acha e entende que está acima de qualquer deslize. Hoje, “ele” está contido! Amanhã está contigo, na rua, partindo para a desforra.