Minha mãe faleceu convicta de que no sistema solar orbitavam nove planetas. Primeiro vinha Mercúrio. Por último estava Plutão, gélido e intocável. Como ela, milhões ficaram sem saber que Plutão não é mais planeta.
Na escola, lembro bem, o professor desenhava na lousa a ordem dos planetas. Hoje, o apagador retirou o final da sequência. Não é fácil, porém permite entender que quase nada é para sempre.
Alguns morreram achando que a Aids afetava, por maldição, os homossexuais.
Uma moeda revelou que Marco Antônio e Cleópatra não eram tão belos como Richard Burton e Elizabeth Taylor.
Antanho, o átomo era indivisível. A bomba atômica é produto de sua divisão.
Aqui também tem dessas. O aniversário da cidade não é mais em maio, e sim em março.
Quem morreu recentemente foi-se sem saber que Uberaba não tem 98% de esgoto tratado a partir de 2008, conforme divulgado inesgotavelmente.
Sem dúvida, vamos desaparecer com algum engano. O que não podemos é nos iludir com verdades que não se sustentam por horas e já duram penosos anos.
Na minha infância, Papai Noel era uma existência com prazo de validade que vencia ao sabor das descobertas de cada um de nós. Quando vi que era ficção, entendi não ser possível um homem de barba branca entrar em algumas casas, sem ser visto, e deixar tantos presentes. Sem contar a casa dos pobres que, por lá, ele nunca passava.
Hitler tinha como lema: “quanto maior for a mentira, mais pessoas acreditarão nela.”
Copérnico, incompreendido em seu tempo, afirmou que a Terra era redonda. Com isso, foi possível saber que o mundo dá voltas. Essas, sim, parecem verdades eternas.
(*) Presidente do PSDB Uberaba