Basta um olhar ao redor para perceber as razões que motivaram o povo a sair de suas casas, numa bela e linda manhã de domingo, para levantar em punho a Bandeira Nacional, e que dia a dia lotam as avenidas das principais cidades do País, para clamar pelo combate à corrupção.
Esses atos nem de longe configuram golpe, perseguição política, capricho ou devaneio, trata-se de um ato de exposição comum, conjunta, de conversas que se arrastam entre familiares, amigos e colegas de trabalho, cotidianamente nas mesas de café, de almoço, lanche e jantar. Basta encontrar algum deles para pôr em prática a verbalização das práticas nefastas e inconcebíveis daqueles que se comprometem a lidar com a gestão pública. Até o futebol, nas suas devidas proporções, foi deixado de lado, mesmo porque, vale lembrar, foi também atingido pelas mazelas dos infratores.
Basta lembrar que as reações populares foram crescendo de forma gradativa, iniciando-se pelo Mensalão, onde o caixa dois de campanha e o financiamento de bancos e empreiteiras viram notícia de primeira página. Nesta o Presidente da República, na época, disse que não sabia de nada e se livrou das sanções, mas os seus companheiros foram parar atrás das grades pelas condenações lançadas pelo STF. Perseguição?
Com as eleições Presidenciais de 2014, ainda durante os debates, as denúncias dos desvios de recursos da Petrobras foram ganhando corpo, principalmente quando os seus diretores, nomeados pelo próprio governo, passaram a confessar que a prática ocorria sob a gerência dos partidos políticos diretamente ligados a ele. Invenção? As delações de gestores, empreiteiros, deputados e até senadores provaram que não.
A maquiagem orçamentária de 2014 foi a queda fatal, quando descobriu, através das pedaladas, que o Executivo não teve dinheiro suficiente para bancar os programas sociais daquele ano, obrigando a tomar empréstimo, sem autorização e respaldo legal, junto ao Banco do Brasil, à Caixa Econômica e ao BNDES. Ato comum?
Como se não bastasse toda essa avalanche de lama descendo morro abaixo, chegaram aos ouvidos do povo a notícia de atos impróprios praticados pelo ex-presidente Lula junto às mesmas empreiteiras denunciadas na Operação Lava Jato, o que resultou, em ato pessoal da Presidente da República para blindá-lo dessas investigações, na sua nomeação ao cargo de Ministro de Estado, garantindo-lhe o chamado foro privilegiado. Fraude?
Que venha o devido processo legal, o direito à ampla defesa, ao contraditório, e o atendimento aos princípios constitucionais do duplo grau de jurisdição, valendo respeitar a atuação do Poder Judiciário, do Ministério Público, bem como a opinião, o caráter e a força do convencimento popular que, diante da clareza e evidência dos atos de corrupção, levantam para reclamar e cobrem as ruas de verde e amarelo. Viva a Democracia!