ELEIÇÕES

20 candidatos, só um eleito: Adub quer reduzir dispersão de votos em Uberaba

Movimento que incentivou voto em nomes ligados à cidade defende articulação mais ampla antes das próximas eleições

Joanna Prata
Publicado em 19/10/2026 às 11:27
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A Associação para o Desenvolvimento de Uberaba (Adub) avalia como positiva a mobilização realizada para ampliar a representação política do município na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e na Câmara dos Deputados. À frente da entidade, que reúne 13 organizações de classe, o presidente Gilberto Rezende defende a continuidade do movimento e uma articulação mais ampla entre lideranças locais para evitar a dispersão de votos nas próximas eleições. 

A campanha “Uberaba Já” levou às ruas mensagens como “Escolha quem é daqui. Vote por Uberaba”, estampadas em outdoors distribuídos pela cidade. A iniciativa buscou conscientizar os eleitores sobre a importância de eleger representantes com vínculos com o município, que tem um dos maiores colégios eleitorais do interior mineiro, com mais de 236 mil eleitores aptos a votar. 

O resultado das urnas, porém, mostrou que o desafio permanece. Dos 20 candidatos com base político-eleitoral em Uberaba que disputaram vagas de deputado estadual e federal, somente Tony Carlos (PSDB) foi eleito. O município recuperou uma cadeira na Assembleia Legislativa, mas continuou sem representante na Câmara dos Deputados.  

“Eu acho que fomos vitoriosos nesse primeiro embate”, afirma Gilberto Rezende, ao avaliar a mobilização no programa Pingo do J na Rádio JM. Para ele, a campanha contribuiu para despertar a população para a necessidade de fortalecer a representação local, embora a divisão dos votos tenha limitado o resultado. “A população compreendeu que precisamos de ter representante, ela compareceu realmente nas urnas para votar, mas a divisão atrapalhou muito, muito, muito”, acrescenta. 

Na disputa estadual, os quatro candidatos mais votados em Uberaba foram nomes da própria cidade. Tony Carlos recebeu 53.366 votos no município, seguido por Cabo Diego (PL), com 33.926; Ismar Marão (PSD), com 16.554; e Patrícia Melo (PT), com 11.152. Mesmo com a concentração da preferência nos candidatos locais, apenas Tony conquistou uma cadeira na ALMG. 

Na eleição para deputado federal, o cenário também evidenciou a força dos nomes da cidade nas urnas. Mariscal (PSDB) liderou em Uberaba, com 40.972 votos, seguido por Nikolas Ferreira (PL), com 34.275. Na sequência apareceram Franco Cartafina (Podemos), com 26.749; Anderson Adauto (PV), com 16.511; e Mauricinho de Sá (PSD), com 11.594. Apesar do desempenho local, nenhum candidato ligado à política de Uberaba foi eleito para a Câmara dos Deputados. 

Rezende aponta dois fatores que, em sua avaliação, pesaram contra a conquista de mais cadeiras: a votação expressiva de candidatos de projeção nacional e a pulverização dos votos entre os próprios candidatos da cidade. Ele cita Nikolas Ferreira, que recebeu votação elevada em Uberaba e Uberlândia, e critica a influência das direções partidárias nacionais na definição das candidaturas. 

“Uberaba tem que entender, se concentrar nos que têm mais possibilidade”, afirma. Na avaliação do presidente da Adub, a quantidade de candidaturas pode favorecer os interesses partidários, mas dificulta a eleição de representantes locais. Ele também considera que disputas políticas internas do município contribuíram para dividir forças que poderiam ter atuado em conjunto.

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