
(Foto/Reprodução)
Quase um mês após quatro cães serem abandonados nas proximidades da Penitenciária Professor Aluízio Ignácio de Oliveira, no bairro Amoroso Costa, em Uberaba, três animais continuam no local, expostos à circulação de carros e caminhões. Uma das cadelas morreu atropelada em agosto, poucos dias após o abandono. Agora, diante da permanência dos outros animais na região, a protetora Alessandra Piagem, do Abrigo dos Anjos, afirma que pretende buscá-los, mesmo sem ter baias disponíveis.
Segundo Alessandra, os três cães continuam em uma área considerada de risco e ninguém conseguiu fazer o resgate até o momento. A protetora afirma que ficou sensibilizada ao saber que os animais permanecem sozinhos no local e decidiu encontrar uma alternativa para retirá-los da rua. “Eu tô sem baia, mas eu vou trazer eles aqui pra minha casa. Minha casa aqui deve ter uns cem cachorros, mas eu vou deixá-los no quintal de lá junto com as vacas”, conta.
O caso foi divulgado pelo Jornal da Manhã em 13 de agosto, quando quatro cães haviam sido abandonados na Rua Doutor Décio Moreira, nas proximidades da penitenciária. Naquele dia, uma das cadelas foi encontrada morta após ser atropelada.
Na ocasião, Alessandra já alertava para o risco de novos atropelamentos e tentava encontrar alguém que pudesse retirar os animais da região. Segundo ela, um dos cães também apresentava dificuldade para caminhar.
Passadas quase quatro semanas, os três animais sobreviventes ainda permanecem na área. A protetora afirma que a situação é especialmente preocupante porque se trata de uma região com movimentação de veículos e, segundo ela, os cães ficam em uma área deserta. “A hora que a menina me contou hoje, eu falei, eu não creio. O coração sangrou, mas amanhã sem falta eu vou buscar eles, porque é muita judiação”, afirma.
A decisão de retirar os cães ocorre mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelo Abrigo dos Anjos. A instituição abriga atualmente cerca de 750 cães e enfrenta limitações de espaço e dificuldades financeiras para manter a estrutura.
Sem uma baia disponível, Alessandra afirma que pretende improvisar um espaço seguro para os animais fora da área destinada aos demais cães do abrigo. A ideia é deixá-los inicialmente em um quintal onde também ficam algumas vacas, com casinhas para proteção. “Eu vou deixar lá, bota as casinhas pra eles lá, é melhor do que eles ficarem lá naquela rua deserta”, explica.
A protetora afirma que a prioridade é retirar os três cães da área de risco e evitar que outro animal tenha o mesmo destino da cadela que morreu atropelada.
O caso também volta a chamar atenção para o abandono de animais em áreas de circulação de veículos e para a dificuldade enfrentada por protetores e abrigos para acolher novos animais diante da falta de espaço.