O Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado nesta terça-feira (2), reforça a importância do suporte às pessoas autistas e suas famílias. Apesar dos avanços na compreensão do Transtorno do Espectro Autista (TEA), muitos cuidadores ainda enfrentam desafios para lidar com o diagnóstico. Esse foi o tema da entrevista concedida pelas psicólogas Mariana Remiggi e Vanessa de Freitas, da ONG Laço Azul, de Uberaba, ao programa Pingo do J, da Rádio JM.
Mariana Remiggi explicou que o TEA é classificado em três graus de suporte, sendo o nível 1 aquele em que o auxílio necessário é leve, o 2 sendo moderado e o nível 3 que exige suporte substancial e constante. Além disso, a psicóloga destacou a frequência das comorbidades, que podem agravar o quadro e aumentar as dificuldades das famílias. “Os estudos falam que as comorbidades podem estar presentes em até 70% das pessoas com autismo”, afirmou.
Entre as condições mais comuns mencionadas por Mariana, estão o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), o Transtorno Opositor Desafiador (TOD), a Síndrome de Tourette, o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Há também questões como epilepsia, distúrbios do sono, deficiência intelectual e transtornos gastrointestinais, que podem exigir intervenções adicionais. “Até 50% dos autistas adultos podem desenvolver Transtorno Depressivo Persistente (TDP), aumentando inclusive o índice de suicídio nessa população”, alertou a especialista.
Diante dessas dificuldades, o suporte às famílias se torna essencial. Vanessa de Freitas ressaltou a necessidade de acolhimento não apenas para a criança autista, mas também para seus responsáveis. “É uma situação desafiadora, mesmo para quem não tem o espectro. Muitas vezes, o autista terá crises devido a alterações sensoriais significativas. Alguns estímulos ambientais podem ser excessivos e desestabilizar a pessoa”, explicou.
Por isso, além do acompanhamento profissional para o autista, é fundamental que os familiares também recebam suporte adequado. “Se a pessoa é bem direcionada com as terapias, tem grande capacidade de se desenvolver e conquistar independência e autonomia”, concluiu Vanessa.