Hospitais particulares de Uberaba atribuem o problema da superlotação das instituições aos planos de saúde. Nos últimos meses o Jornal da Manhã tem recebido constantes reclamações
Muito se fala das deficiências do sistema público de saúde, por se tratar de um direito de todos os brasileiros garantido na Constituição Federal. Mas nos últimos tempos cresceram as reclamações quanto ao atendimento oferecido pela rede particular de saúde, cujo serviço é pago pelos usuários diretamente às instituições ou por meio dos planos de saúde. Hospitais reconhecem a dificuldade e dizem que o acesso facilitado aos planos gera uma demanda maior que a estrutura oferecida pelas corporações particulares. Também se argumenta que as próprias deficiências do SUS acarretam maior procura pelos serviços privados. Os planos de saúde, por sua vez, revelam crescimento vertiginoso do número de beneficiários nos últimos anos e dizem que a estrutura da rede credenciada não cresceu na mesma proporção. A alternativa defendida por todos os setores é que o usuário adote comportamentos preventivos, evitando a necessidade de procurar, principalmente, os prontos-atendimentos. Neste aspecto, os próprios planos de saúde têm atuado para minimizar o volume de pacientes da urgência e emergência com investimentos em programas que visam a melhorar a qualidade de vida e, consequentemente, a saúde dos beneficiários. Jornal da Manhã ouviu todos os setores envolvidos nesta cadeia, revela problemas e aponta alternativas para melhoria do serviço prestado
Hospitais particulares de Uberaba atribuem o problema da superlotação das instituições aos planos de saúde. Nos últimos meses o Jornal da Manhã tem recebido constantes reclamações de pacientes sobre a demora do atendimento nos hospitais particulares da cidade. Situações em que o tempo de espera é semelhante ou maior em relação ao Sistema Único de Saúde. Assim, a reportagem ouviu os principais hospitais da cidade sobre a situação, e as justificativas, em sua maioria, estão relacionadas aos planos.
O Hospital e Maternidade São Domingos tem problemas com lotação há muito tempo, inclusive, no mês de junho do ano passado teve de fechar as portas do pronto-atendimento por falta de leitos. Este ano a medida não precisou ser adotada, mas o hospital está cheio. Em média, no mês de maio foram atendidos, por dia, 190 pacientes, sendo que, no início do ano, eram 140 pessoas ao dia. A primeira explicação dada pelo hospital é o aumento do número de pessoas com plano de saúde.
As informações repassadas pelo Hospital São Marcos também relatam o fácil acesso aos planos de saúde. “As pessoas querem se desvencilhar do SUS, que é um sistema caótico e cheio. Nos últimos tempos o hospital está mais lotado e isso acontece durante todo o ano, com ênfase no período de outono/inverno. Nos últimos três anos o número de atendimentos dobrou”, informa a instituição.
O diretor clínico do Mário Palmério Hospital Universitário, Galvani Salgado Agreli, também relaciona o problema com os planos de saúde. Mas ele acredita que o aumento de pessoas procurando os prontos-atendimentos dos hospitais se dá diante da dificuldade e demora para consultas, mesmo com plano de saúde. “Os clientes nem sempre conseguem acesso rápido aos médicos e, por isso, buscam o pronto-atendimento, passam por uma consulta que pode demorar horas, mas é no mesmo dia, realiza exames e volta para casa com diagnóstico e medicado. Se houve um aumento de pessoas com plano de saúde, isso não posso afirmar, até porque a situação econômica do país não está boa”, explica.
Os profissionais do Hospital São José concordam com Galvani sobre a dificuldade e demora em realizar consultas. De acordo com as informações repassadas, o pronto-atendimento do hospital se tornou um ambulatório, em que pacientes o procuram com dores que estão sentindo há meses. Além disso, afirmam que também houve aumento de pessoas com plano de saúde que, apesar de ter custo alto, querem garantir o atendimento.
Para finalizar, todos também concordaram que um dos motivos são as doenças sazonais, como as respiratórias, no período de tempo seco, e a dengue, nos primeiros meses do ano. O crescimento populacional do município também foi destacado pelo Hospital São José; o envelhecimento das pessoas, que estão atingindo idades mais avançadas, foi outra explicação do Hospital São Marcos.
Alternativas são adotadas para evitar transtornos aos pacientes. Diante do problema de lotação, os hospitais adotam alternativas para evitar transtornos aos pacientes. No Hospital e Maternidade São Domingos foi adotada a classificação de risco – o protocolo de Manchester –, em que o paciente com maior gravidade tem prioridade. O Hospital São Marcos fez ampliação recente, melhorando, principalmente, a recepção, para conforto dos pacientes, e ainda existe projeto de expansão.
Outro hospital que está programando ampliação e reforma é o São José. De acordo com informações encaminhadas, o projeto já está nas mãos da Vigilância Sanitária, à espera de aprovação.
Já no Mário Palmério Hospital Universitário, a estrutura hoje atende às necessidades, pois se trata de um grande hospital, inaugurado recentemente, por isto adota outras medidas para atender à demanda. Assim como todos os outros, sempre que há necessidade, reforça a equipe de plantonistas.