Apesar do afastamento da profissional, o exame para rastreamento de câncer do colo do útero continuava sendo oferecido nas unidades básicas de saúde; contudo, paciente que buscou atendimento não relata ter sido orientada ao procurar atendimento
O Jornal da Manhã recebeu relatos de mulheres que tiveram dificuldade para realizar exames de rastreamento do câncer do colo do útero no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM), em Uberaba. Segundo uma ouvinte da Rádio JM, ao procurar o procedimento, ela foi informada de que a enfermeira responsável estaria de atestado médico e que não havia previsão para o retorno das coletas. Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) confirmou que houve uma interrupção pontual nas coletas do CAISM devido a afastamentos temporários de profissionais e informou que os atendimentos foram retomados em 3 de agosto.
Em nota enviada ao Jornal da Manhã, a SMS afirmou que “não há suspensão do rastreamento do câncer do colo do útero no município”. Segundo a pasta, a interrupção no CAISM ocorreu especificamente em razão de “afastamentos temporários de profissionais da equipe”.
A situação ocorre em meio à mudança no modelo de rastreamento adotado pelo município. Desde agosto de 2025, Uberaba passou a implantar o Teste Molecular de DNA-HPV como método primário para o rastreamento do câncer do colo do útero, seguindo as novas diretrizes e a normativa do Ministério da Saúde.
Com a mudança, o exame citopatológico, conhecido como Papanicolau, deixou de ser a primeira estratégia de rastreamento. A SMS esclarece, porém, que o procedimento “permanece indicado em situações específicas, conforme os protocolos assistenciais”.
O Teste Molecular de DNA-HPV é indicado para mulheres de 25 a 64 anos e busca identificar a presença de tipos de HPV de alto risco. Segundo a Secretaria, o método apresenta maior sensibilidade em comparação ao exame citopatológico tradicional e permite identificar alterações precocemente.
A tecnologia está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da rede municipal e no CAISM. Para realizar a coleta, a mulher deve procurar a unidade de saúde mais próxima de sua residência para receber orientação e fazer o agendamento com a equipe de enfermagem.
De acordo com a SMS, “a coleta é feita conforme os critérios e protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde”.
A Secretaria também informou que não existe uma fila eletrônica centralizada especificamente para o Papanicolau, uma vez que o município adotou o Teste Molecular de DNA-HPV como método primário de rastreamento. “As agendas de coleta são organizadas pelas próprias unidades de saúde, de acordo com a programação e a capacidade de atendimento”, informou a pasta.
Sobre a situação específica do CAISM, a Secretaria informou que a interrupção foi temporária e que o serviço já voltou a funcionar. “A situação foi regularizada e os atendimentos para coleta do Teste Molecular de DNA-HPV foram retomados em 3 de agosto”, afirmou a SMS.
A pasta também reforçou que, embora o Papanicolau não seja mais o método primário de rastreamento, o exame continua disponível quando houver indicação conforme os protocolos assistenciais.
A orientação da Prefeitura é que mulheres de 25 a 64 anos procurem a Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua residência para receber informações sobre o rastreamento e verificar o procedimento indicado.
Na ocasião, mulheres afirmaram que exames de Papanicolau já marcados haviam sido cancelados. Em um dos casos, o procedimento estava agendado para maio. Também houve relatos de pacientes que teriam sido orientadas a procurar outras unidades.
À época, o CAISM informou ao JM que Uberaba estava implantando o teste de DNA-HPV e que os cancelamentos estavam relacionados, entre outros fatores, ao afastamento temporário de profissionais.
Agora, diante dos novos relatos, a Secretaria Municipal de Saúde afirma que houve uma interrupção pontual no CAISM e que as coletas do teste de DNA-HPV foram retomadas em 3 de agosto.