CIDADE

Acusado de matar comerciante na saída de pet shop pega 15 anos

No dia 7 de janeiro de 2016, o comerciante foi alvejado com cinco tiros, pelas costas, no momento em que saía de um pet shop no Santa Maria

Thassiana Macedo
Publicado em 12/04/2018 às 07:27Atualizado em 16/12/2022 às 04:50
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Jairo Chagas

Pena foi fixada pelo juiz Ricardo Cavalcante Motta, que também negou ao réu o direito de recorrer em liberdade

Após oito horas de julgamento, com salão lotado de familiares, amigos e estudantes de Direito, ontem, Ederson Alves da Silva, vulgo “Dersin”, foi condenado à pena de 15 anos de prisão, em regime fechado, pelo homicídio duplamente qualificado de Rodrigo Destro Marques, de 36 anos. A pena foi fixada pelo presidente do Tribunal do Júri, juiz da 1ª Vara Criminal, Ricardo Cavalcante Motta, que também negou ao réu o direito de recorrer em liberdade, por ter enfrentado todo o processo preso.

No dia 7 de janeiro de 2016, o comerciante foi alvejado com cinco tiros, pelas costas, no momento em que saía de um pet shop, no bairro Santa Maria, para entrar em seu veículo. O crime ocorreu por volta de 12h15 de 7 de janeiro de 2016. Conforme apurado pelo Ministério Público, o réu teria descoberto um relacionamento amoroso entre sua então ex-companheira e a vítima, razão pela qual teria passado a ameaçar o comerciante de morte e a persegui-lo para efetivar sua vingança, a qual teria sido consumada quando Rodrigo foi até um pet shop na rua Goiás buscar um cachorro.

Ao dar seu depoimento, Ederson da Silva negou que fosse o autor do homicídio, dizendo que sequer conhecia a vítima ou que tivesse qualquer interesse em lhe tirar a vida. Profundamente emocionados, familiares e amigos de Rodrigo Destro, presentes com camisetas em homenagem ao comerciante, como forma de pedir justiça, se incomodaram com a fala do réu, em razão das inúmeras ameaças que recebeu antes do assassinato. Durante o julgamento, em um momento de grande emoção, a mãe da vítima, Regina Destro, tentou se manifestar, dirigindo-se aos jurados, e o juiz-presidente ameaçou anular o julgamento caso ela continuasse.

A defesa, conduzida pelos advogados Vitor Rachid Colucci Daher e Tiago Leonardo Juvêncio, baseou-se na tese de negativa de autoria, alegando que foram registradas vendas na loja pertencente ao réu no dia do crime, entre outros fatores. “Considero a pena injusta, uma vez que defendi a tese de que o réu é inocente. Então, qualquer que fosse a pena, um ano de reprimenda para mim já é injusta. A condenação em si foi injusta, porque os autos no processo não revelaram realmente a culpa do réu”, afirmou Vitor Rachid. Neste sentido, a defesa irá consultar o réu e a família para definir se irá recorrer da sentença junto ao Tribunal de Justiça.

A acusação, feita pelo promotor Alcir Arantes e os advogados criminalistas Juliana Alves Castejon e Leuces Teixeira de Araújo, como assistentes de acusação, chamaram a atenção para a violência, mediante surpresa, com que se deu o crime, após tantas ameaças. “Acho que a pena foi pequena. Estamos falando de um sanguinário homicida, um reincidente específico no delito de homicídio. Em 2002, ele cometeu uma tentativa de homicídio cruel, com o mesmo modus operandi. E agora, com 12 ou 13 anos, comete um outro homicídio com essa brutalidade. Estamos diante de um indivíduo que é periculoso”, avalia. Para Leuces Teixeira, o réu merecia mais de 20 anos e, por isso, estuda recorrer da sentença para aumentar a pena.

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