Empregados da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) entrarão em greve, por tempo indeterminado, a partir de 0h do dia 1º de agosto em todo o país. Será mantido apenas o funcionamento dos serviços essenciais como, por exemplo, controle de voo e meteorologia. Funcionários do Aeroporto Mário de Almeida Franco aderiram à paralisação após assembleia realizada em Uberaba, ontem, com delegados do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina).
Segundo informações dos delegados Rodolfo Eurípedes Silva de Souza, Daniel Moreira Auaide e Francisco Lima Júnior, a greve da categoria exige a discussão de pauta com 18 cláusulas econômicas rejeitadas pela Infraero, a qual aprovou somente 71 propostas do total apresentado em maio deste ano. Após a privatização dos maiores aeroportos brasileiros, como Guarulhos, Campinas e Brasília, a Infraero perdeu receita. Com isso, segundo os delegados, a empresa negou reajuste salarial para a categoria e vem relaxando vários benefícios.
Daniel Moreira explica que uma das propostas feitas pelo Sina foi o reajuste salarial de 6,36%, mas a Infraero rejeitou o pedido sem apresentar contraproposta, afirmando que o último aumento de salários dos empregados aeroportuários havia sido muito acima da média do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). “Não é só a questão salarial que está em jogo, mas também os benefícios. Temos receio de que a Infraero venha cortar auxílio combustível, adicional de hora extra, que hoje é 100%, adicional de tempo de serviço, adiantamento de 50% do 13º salário, que é sempre no mês de julho, adicional de férias de 50%, turnos de serviço, programa de alimentação, assistência médica e odontológica Infraero, auxílio creche, material escolar, auxílio funeral, seguro de vida em grupo e a tabela de participação”, informa.
O delegado explica que no caso a tabela de participação funciona da seguinte maneira: se um funcionário tiver que fazer uma intervenção cirúrgica no valor de R$1 mil, ele pagará de acordo com a tabela de participação, que atualmente varia de 4% a 20%. A maioria dos empregados paga entre 4% e 8% do valor, mas, segundo Daniel Moreira, a Infraero está querendo alterar estes índices da tabela. “Além disso, pedimos a estabilidade provisória e a liberação de dirigentes sindicais. Ou seja, a Infraero não aceitou, mas também não ofereceu uma contraproposta e está calada diante disso tudo”, completa.