Você já ouviu o ditado popular “a prática leva à perfeição”? Na formação profissional, a frase faz sentido, mas também leva a um paradoxo. Afinal, como ter experiência sem ter tido a chance de praticar? É por isso que, no ambiente universitário, as atividades práticas se mostram fundamentais.
Estágios, iniciação científica e extensão são formatos de aprendizagem que aproximam o estudante do mercado, além de colaborarem com a formação cidadã. Em Uberaba (MG), a Fazu (Faculdades Associadas de Uberaba) se propõe a levar o ensino além da sala de aula de forma efetiva, seja nas Ciências Agrárias ou Humanas.
Maria Laura Dirceu é aluna do 3º período de Agronomia e, para se aproximar do campo e da inovação, está desenvolvendo um projeto de iniciação científica com biochar. O termo faz menção ao biocarvão, uma ferramenta nova na agricultura. A ideia surgiu na aula de Estatística Geral, ministrada pela professora Kamila Mielke, e agora está indo para a fase de testes na lavoura.

Com amostra de biochar, pesquisa de Maria Laura será desenvolvida na Fazenda Escola da Fazu (Foto/Reprodução)
“A pesquisa busca avaliar o potencial do biochar, produzido a partir de resíduos de cana-de-açúcar, como alternativa sustentável para melhorar a fertilidade do solo e a produtividade do milho no Cerrado Mineiro. O estudo analisará seus efeitos sobre o desenvolvimento das plantas e a qualidade do solo, visando contribuir para práticas agrícolas mais sustentáveis, reduzir a dependência de fertilizantes químicos e promover avanços para o setor”, conta. “Além disso, acredito que a atuação feminina no setor agronômico pode ser fortalecida por meio da produção de conhecimento e do desenvolvimento científico, incentivando maior participação das mulheres na área”, afirma.
Já Daniela de Freitas, do 2º período de Psicologia, vive a prática por meio de projetos extensionistas. Atualmente, a estudante participa das atividades realizadas pela faculdade na ONG Lar da Caridade. No local, são desenvolvidos dois projetos: “Cantinho do Cuidar”, da professora Hevelyn Barcelos, e “O cuidado e os múltiplos saberes: ações interdisciplinares com famílias em situação de vulnerabilidade social”, da professora Ana Clara Nunes.

Daniela (de blusa preta), em reunião de alinhamento com a equipe do Lar da Caridade (Foto/Reprodução)
“Como decidi ingressar na graduação aos 44 anos, essa etapa tem um significado muito especial de recomeço e dedicação total aos estudos”. Daniela destaca ainda que os projetos propiciam o desenvolvimento de importantes habilidades, como a prática da escuta ativa, o acolhimento sem julgamentos e a compreensão da subjetividade de cada indivíduo.
“Tem sido uma experiência enriquecedora. Sair da teoria da sala de aula e olhar nos olhos das pessoas, nos desafia a exercer a empatia na prática. É gratificante ver como a arte, a literatura e as dinâmicas de autocuidado e identidade criam um espaço seguro para eles se expressarem e se reconhecerem”, conta.
No campo da Medicina Veterinária, o cuidado também é exercido na prática. Larissa Silva é aluna do 5º período e estagiária da área veterinária na Fazenda Escola da própria Fazu. Dessa forma, está inserida nos setores de produção animal, como bovinocultura de leite, corte, suinocultura e ovinocultura.

Setor de ovinocultura é um dos espaços do estágio em Medicina Veterinária de Larissa (Foto/Reprodução)
“Ter contato direto com os animais mudou muito minha visão sobre a profissão. Na prática, a gente aprende coisas que muitas vezes a teoria sozinha não consegue mostrar. Esse contato real faz diferença não só tecnicamente, mas também na forma de entender o manejo, o comportamento e a responsabilidade com os animais”, conta.
Já o aluno de Agronomia, Marcelo Aoyagui, está na reta final do curso. No 9º período, já passou por uma série de atividades práticas. No quesito extensão universitária, foi um dos idealizadores do Agrocards. Desenvolvido junto ao professor Felipe de Souza, o projeto consiste em um jogo de cartas lúdico e informativo. Atualmente, o jogo está sendo apresentado em escolas do município, levando conhecimento descomplicado sobre o universo agrícola.

Antes de ser apresentado à comunidade, o Agrocards foi testado por alunos e professores, entre eles Marcelo (Foto/Reprodução)
“Está sendo muito satisfatório, depois de meses de trabalho, ver nosso jogo chegar às escolas. Fizemos alguns testes dentro da Fazu e todos os participantes falavam muito bem, mas eu ainda tinha um pé atrás sobre como o pessoal de fora iria reagir. Quando fomos à primeira escola e o pessoal se divertiu com o jogo, eu me senti muito realizado com o resultado”.