Seguro-fiança e soluções digitais mudam relação entre inquilinos, proprietários e imobiliárias
Encontrar alguém disposto a ser fiador em um contrato de aluguel tem se tornado cada vez mais difícil em Uberaba. Ao mesmo tempo, modalidades digitais e menos burocráticas, como seguro-fiança e títulos de capitalização, vêm ganhando espaço no mercado imobiliário e mudando a forma como proprietários e inquilinos fecham contratos de locação.
Em entrevista ao programa Pingo do J, o empresário do setor imobiliário Rodrigo Zucato afirmou que a transformação vai além das garantias e envolve todo o processo de locação. “A gente já está assinando contratos digitalmente. Já está notificando inquilinos e proprietários via digital”, explica.
Segundo ele, a mudança acompanha um novo perfil de consumidor, que busca rapidez e menos burocracia para conseguir alugar um imóvel. “A gente está vendo muito o mercado mudar nesse sentido, com processos mais ágeis e simplificados”, afirma.
Nesse cenário, o fiador tradicional, geralmente um familiar ou amigo que assume a responsabilidade pela dívida em caso de inadimplência, vem perdendo espaço. De acordo com Zucato, além da dificuldade de encontrar pessoas dispostas a assumir esse compromisso, surgiram alternativas consideradas mais práticas tanto para imobiliárias quanto para locatários. “O inquilino não depender tanto de um parente que é fiador. Ninguém quer ser fiador de ninguém mais”, disse.
Atualmente, a Lei do Inquilinato (Lei nº 8.245/1991) prevê diferentes modalidades de garantia locatícia, como fiador, caução e seguro-fiança. A legislação também estabelece que o proprietário não pode exigir mais de uma garantia no mesmo contrato.
Entre as alternativas que mais cresceram nos últimos anos está o seguro-fiança, modalidade em que uma seguradora assume os riscos da locação caso o inquilino deixe de pagar o aluguel. “Você vai contratar uma seguradora e pagar uma taxa que varia entre 10% e 15% do valor do aluguel”, explica Zucato.
Segundo ele, em caso de inadimplência, a seguradora repassa o valor à imobiliária e posteriormente faz a cobrança ao locatário. “Caso você deixe de pagar, essa seguradora vai quitar o aluguel para a imobiliária e depois cobrar do inquilino”, pontua.
O empresário também destacou que parte dessas modalidades já funciona de forma integrada a sistemas digitais, inclusive com pagamento via cartão de crédito ou cobrança vinculada ao boleto do aluguel.
Além da modernização tecnológica, Zucato acredita que mudanças na legislação podem acelerar ainda mais o crescimento dessas modalidades. Ele comentou um projeto em tramitação no Congresso Nacional que prevê maior rapidez na retomada de imóveis em casos de inadimplência.
A proposta prevê que o proprietário possa notificar o inquilino por cartório e solicitar a retomada do imóvel em prazo menor caso a dívida não seja quitada. “Se esse projeto for aprovado, eu acho que vai facilitar muito para todos”, avalia.
Para Zucato, as mudanças no mercado de locação refletem uma transformação mais ampla no comportamento da sociedade e na relação das pessoas com a moradia. Segundo ele, a busca por flexibilidade, mobilidade e menos burocracia tem influenciado diretamente o crescimento do aluguel e das novas modalidades de garantia.
O empresário avalia que, principalmente entre os mais jovens, o imóvel próprio deixou de ser prioridade imediata, favorecendo contratos mais rápidos e digitais. “Essa geração é mais desapegada”, afirma.
Na avaliação dele, a tendência é que o mercado imobiliário continue investindo em soluções digitais e em modalidades de garantia menos burocráticas, reduzindo a dependência do fiador tradicional nos contratos de aluguel.