Instituição diz que havia mobiliário adequado e classifica episódio como falha pontual no procedimento
(Foto/Reprodução)
Após a publicação da reportagem sobre o material utilizado em uma coleta de sangue apoiado sobre uma lixeira na UPA São Benedito, em Uberaba, uma pessoa que afirma ter participado do procedimento procurou o Jornal da Manhã para apresentar esclarecimentos sobre o caso. Ela afirma que, no momento da coleta, não havia espaço adequado disponível para apoiar a bandeja e que o procedimento precisou ser realizado de forma adaptada. A Sociedade Educacional Uberabense (SEU), responsável pela unidade, contesta essa versão e afirma que havia estrutura e mobiliário adequados no local.
A pessoa, que não teve a identidade e a função profissional confirmadas pela reportagem, afirma que a coleta foi realizada em condições diferentes das habituais e que precisou trabalhar agachada porque não havia, naquele momento, espaço disponível para apoio da bandeja. “No local, não havia naquele momento um espaço adequado e disponível para apoio da bandeja, fazendo com que a coleta precisasse ser realizada de maneira adaptada, inclusive com o profissional agachado”, afirma.
Ela também afirma que a identificação da paciente foi conferida durante o procedimento.
A informação é confirmada pela SEU em novo posicionamento encaminhado ao JM. Segundo a instituição, “as amostras foram devidamente identificadas e conferidas, conforme os procedimentos estabelecidos”.
Na primeira reportagem, o paciente que encaminhou a imagem à redação havia relatado que não teria visto identificação no tubo utilizado na coleta. O relato, entretanto, não comprovava que tivesse ocorrido troca ou mistura de amostras.
Em nova nota enviada à reportagem, a SEU afirmou que não procede a informação de que não havia estrutura ou mobiliário adequado para apoio da bandeja no momento do procedimento. “A unidade dispõe de estrutura e recursos adequados para a realização das coletas, conforme as boas práticas assistenciais e os protocolos institucionais de biossegurança”, informou a instituição.
A administração também reforçou que a utilização da lixeira como superfície de apoio não ocorreu por falta de estrutura ou de materiais.
Segundo a SEU, o episódio foi considerado uma “não conformidade pontual na execução do procedimento”, que não corresponde às práticas estabelecidas pela instituição. A instituição mantém, portanto, a avaliação apresentada na primeira manifestação ao JM: utilizar a lixeira como apoio para a bandeja não está de acordo com os protocolos da unidade.
A pessoa que procurou o JM também questionou a forma como a situação foi apresentada na reportagem anterior. Segundo ela, embora seu rosto não apareça na imagem, pessoas que trabalham na instituição poderiam reconhecê-la. “Embora meu rosto não apareça, a imagem permite que eu seja identificada por pessoas que trabalham na instituição, e a forma como ela foi apresentada acaba associando diretamente a minha imagem a uma suposta conduta inadequada, sem apresentar todo o contexto das condições em que o procedimento foi realizado. Essa exposição tem me causado bastante constrangimento”, informa.
A manifestação foi encaminhada ao JM após a publicação da reportagem e apresentada como esclarecimento sobre as circunstâncias do atendimento. Outro ponto levantado na primeira reportagem dizia respeito à identificação dos tubos utilizados na coleta. O paciente afirmou ter observado o procedimento e disse não ter visto informações de identificação no tubo antes de ele ser colocado na cuba.
Na nova manifestação, porém, a SEU afirma que as amostras foram identificadas e conferidas.
A instituição também esclarece que a coleta realizada na unidade utiliza sistema fechado, com dispositivos e tubos próprios para coleta e acondicionamento das amostras. A confirmação da identificação das amostras, contudo, não altera a avaliação da SEU sobre a utilização da lixeira como apoio. Para a administração, mesmo dispondo de sistema fechado e tendo as amostras devidamente identificadas, a utilização da lixeira como superfície de apoio foi uma conduta inadequada.
A SEU informou que mantém protocolos de biossegurança e segurança do paciente e que situações que estejam em desacordo com essas diretrizes são tratadas com seriedade. Segundo a instituição, serão adotadas as medidas necessárias para corrigir a não conformidade identificada e evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer.
Com os novos esclarecimentos, permanecem divergentes as versões sobre uma das circunstâncias do procedimento: enquanto a pessoa que afirma ter participado da coleta diz que não havia espaço adequado disponível para apoiar a bandeja naquele momento, a SEU sustenta que a unidade possui estrutura e mobiliário adequados e que a utilização da lixeira não decorreu de falta de estrutura, mas de uma conduta pontual em desacordo com os protocolos.