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As árvores podadas em Uberaba não recebem produtos químicos para acelerar o processo de cicatrização natural. A explicação é do biólogo da Secretaria de Meio Ambiente (Semam), Paulo César Franco, após leitor do Jornal da Manhã contestar a não aplicação de fungicidas em espécies recém cortadas, como a calda bordalesa.
O leitor entrou em contato com a reportagem do JM, nesta segunda-feira (26), para denunciar o não uso de produtos químicos capazes de prevenir infecção de tecido de plantas vivas, com o exemplo de uma árvore cortada no Parque das Barrigudas. Segundo o relato, a aplicação de defensivos seria importante para evitar a proliferação de fungos e bactérias, o que mataria as árvores podadas "aos poucos".
Conforme Paulo César, não é necessário aplicar qualquer tipo de elemento cicatrizando quando a poda é "bem feita". A garantia do bom trabalho seria o treinamento, feito por ele e recebido pelas equipes do "Pró Árvore" e da empresa terceirizada, sobre a forma correta de realizar as podas, "justamente para não necessitar do uso de nenhum produto".
Em nota, a Prefeitura informa que o contrato assinado com a empresa não prevê esse tipo de aplicação, e que os produtos não constam no Edital de Licitação.
A organização Ciclo Vivo explica que o bom desempenho de uma árvore depende do equilíbrio de seus “órgãos”, ou seja, caule, folhas e raízes. A poda deve proporcionar que a espécie mantenha seu metabolismo pois ele será essencial para recuperação da região amputada.
Primeiramente, é preciso saber identificar onde corte deve ser feito. O local exato para a realização da poda é na bifurcação dos galhos, onde se observa um pequeno círculo, chamado de anel. A parte superior deste entroncamento possui um volume mais grosso que é chamado de “crista”.
O corte final deve ser executado logo no final desta base mais grossa, assim, cortará o fluxo de nutrientes da região, evitando novos brotos indesejados.
Mas o talho não deve ser feito de uma única vez, pois pode provocar danos a árvore. Existe um método, chamado de “técnica de 3 cortes” para fazer a poda correta, conforme a organização.
- O primeiro corte deve ser feito certa de 30 cm do anel, debaixo para cima em cerca de 1/3 da largura do galho.
- Cerca de 3 cm acima do primeiro corte, faz-se o segundo corte. Este mais profundo, cerca de 2/3 do galho. Neste momento, o peso do galho força a quebra da madeira, mas o corte anterior impede que o tronco lasque. Esta fase deve ser conduzida com o auxílio de cordas para evitar a queda brusca que pode machucar as pessoas no entorno.
- Somente depois disso, deve-se cortar o toco que sobrou no local definitivo, bem acima do anel. Embora alguns manuais de arborização urbana considerem desnecessário fazer “curativos” nos cortes das árvores, a sabedoria popular indica que se misture pasta de dente (daquela branca) com canela em pó. Essa mistura aplicada na região da poda impermeabiliza a ferida, evitando a entrada de bactérias.
As ferramentas apropriadas para o corte dependerão do tamanho dos galhos, mas geralmente podem ser usados tesourão de poda, arco de serra ou serrote.