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"Atletas não são formados da noite para o dia", diz paratleta uberabense em Tóquio

Rafaella Massa
Publicado em 24/08/2021 às 07:28Atualizado em 19/12/2022 às 02:32
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Depois de comemorar as conquistas olímpicas dos atletas brasileiros em Tóquio, no Japão, chegou a vez de torcer pelos atletas paraolímpicos nas Paraolimpíadas 2021, que estreiam nesta terça-feira (24) e vão até o dia 5 de setembro. Uberaba está muito bem representada pelos paratletas Ercileide Silva, José Carlos Chagas e Poliana Sousa, que disputam medalhas na bocha e no paratletismo.

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, Poliana Sousa conta que a experiência das Paralimpíadas no Japão está sendo incrível, e os atletas têm sido muito bem recepcionados no país oriental. “Desde o nosso período de aclimatação, que foi Hamamatsu, eu já estou há mais de 20 dias fora de casa, do Brasil, mas está sendo tudo muito diferente. A comida, as pessoas, o carinho, a reciprocidade que os japoneses têm conosco. Está sendo muito bom”, relata a paratleta.

Poliana atua no lançamento de dardo e arremesso de peso, classe F54 (para atletas que competem em cadeiras de rodas). Após lesionar a coluna aos quatro anos em um atropelamento, incentivada pela mãe, entrou na Associação dos Deficientes Físicos de Uberaba (Adefu) aos 11 anos, onde praticou vôlei, natação, tênis de mesa e basquete sentado. Aos 18 anos, se encontrou no atletismo.

A atleta é campeã brasileira no Circuito Paralímpico Loterias Caixa desde 2008 e do Open Championship desde 2011. Esta é a terceira Paralimpíada em que participa e a atleta ressalta que é sempre uma experiência diferente da outra. “Eu sempre falo para todo mundo, nenhuma é igual a outra. São experiências surreais, a vila paralímpica, as arenas, é tudo diferente. Eu falo que aqui no Japão a maioria das coisas é muito ligada a tecnologia, é muito eletrônico. Então, nenhuma é igual a outra”, explica.

Poliana ainda conta que os atletas encontraram um grande adversário no fuso-horário, afinal, são 12 horas de diferença entre o Brasil e o Japão. Com uma rotina extensa de treinamentos durante o dia, a equipe encontrou dificuldade de adaptação no início. Porém, já começaram vencendo esta adversidade.

“A hora que a gente tinha que estar dormindo, estávamos super acordados e na hora que a gente tinha que estar acordado nós queríamos dormir. Foi um fator desafiador para nós. Na nossa primeira semana lá em Hamamatsu, chegamos de madrugada, então era umas 5h30 da manhã, então estava todo mundo bem ativo, porque aí no Brasil seria 18h, mas foi dando ali por volta das 20h, 21h, 22h, você já via os atletas capengando por causa da diferença de horário. Mas agora a gente já está tirando de letra, já está tudo tranquilo”, conta Poliana.

A paratleta ainda relata que os japoneses são extremamente organizados e cuidadosos com as questões pandêmicas, evitando deixar brechas para o coronavírus arruinar a oportunidade dos atletas e a diversão dos torcedores. “Aqui é a todo momento com máscara, eles estão seguindo os protocolos perfeitamente. Quando nós estamos no refeitório, o único momento em que podemos tirar a máscara é na hora de nos alimentarmos e as mesas possuem uma divisória de acrílico com álcool em gel e lenços para higienização. No quarto também é o único momento que podemos ficar sem máscaras, mas tem o medidor de temperatura”, afirma Sousa.

No entanto, algo que é essencial para os atletas fica a desejar: o patrocínio aos esportistas. Segundo Poliana, um atleta não é formado do dia para a noite, portanto, não adianta apoiá-los somente quando o nome já está em reconhecimento, mas sim no início da trajetória, quando ainda não há quem estenda a mão.

“O ciclo dura 4 anos e nós tivemos um ano atípico, um ciclo atípico, que durou cinco anos. Então é complicado, porque quando o atleta pega uma seleção, ele vai representar o Brasil no maior evento esportivo do mundo, aparecem N pessoas. E não é assim. A gente precisa de apoio, a gente precisa de ajuda, também no início do ciclo. A gente precisa que olhem para nós, atletas, quando nós estivermos iniciando a nossa caminhada. Não quando a gente chegar no nosso objetivo final”, explica a paratleta. Poliana ainda reforça os agradecimentos à equipe da Fundação de Esporte e Lazer de Uberaba (Funel), que oferece grande apoio e conta que espera que esta parceria se prolongue até as próximas Paralimpíadas, em 2024.

Agora é a hora de torcer e mandar energias positivas à equipe que representa a terra do Zebu do outro lado do mundo, porém, não importa o resultado, os esforços do time uberabense não são em vão. “Eu só quero pedir que todos os uberabenses, que todo mundo possa mandar energias positivas para nós, eu, o José Carlos, a Ercileide, que estamos aqui batalhando para dar o nosso melhor. E eu acredito que a medalha é consequência, eu acredito que a gente vai vir aqui e dar o nosso melhor. E o que vier é lucro”, finaliza Poliana Sousa. A nossa torcida eles já têm!

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