CIDADE

Ato contra reforma da Previdência reúne 1,5 mil, afirma organização

Além dos trabalhadores rurais, manifestação de ontem teve a participação de sindicatos de trabalhadores e da Ordem dos Advogados do Brasil

Letícia Morais
Publicado em 16/02/2017 às 07:53Atualizado em 16/12/2022 às 15:08
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Foto/Neto Talmeli

Antes da caminhada até a agência do INSS, os manifestantes se concentraram próximo ao estádio Uberabão

Trabalhadores rurais se manifestaram ontem contra a PEC 287, que trata da reforma da Previdência Social. O ato foi organizado pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg) e foi realizado em todas as 14 regionais da entidade no Estado. O movimento reuniu 1,5 mil pessoas, segundo organizadores, incluindo jovens, adultos e idosos, no entorno do estádio "Engenheiro João Guido" (Uberabão), que, em um segundo momento, seguiram caminhando até a agência do INSS de Uberaba, na avenida Leopoldino de Oliveira.

Além dos trabalhadores rurais e representantes da classe, várias entidades como o Sindomoto, Sinpro, SSPMU, Sindemu, Sindicato Rural de Veríssimo, Sindicato dos Previdenciários de Minas Gerais, Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário e OAB estiveram presentes na manifestação. “Da forma que ela [a reforma] está é muito prejudicial ao trabalhador, tanto o rural, que nós representamos, como o urbano”, avalia o diretor regional da Fetaemg, Gervânio Luiz Pereira.

A coordenadora-adjunta do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário e conselheira da OAB Uberaba, Patrícia Teodora da Silva, segue a mesma opinião. Ela explica que a proposta é de idade unificada para homens e mulheres, estabelecida em 65 anos, e a aposentadoria integralmente após 49 anos de contribuição. “Ou seja, iniciar a contribuição aos 16 anos e pressupor que elas trabalhariam ininterruptamente, o que é muito difícil”, afirma.

Quanto à área rural, Patrícia explica que, atualmente, a mulher rural se aposenta com 55 anos e o homem, com 60, comprovando 15 anos de serviço. Nesse sentido, ela avalia que a medida será nociva para a sociedade, por ser uma política alimentar. “Hoje, 70% dos alimentos que nós ingerimos nas nossas casas advêm da agricultura familiar. Essa reforma fará com que essas famílias voltem para a cidade, porque elas não terão nenhum benefício para continuar no meio rural. Consequentemente, vai ter um problema de abastecimento interno muito grande, por ser uma produção fundamental”, reforça a especialista.

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