A estiagem prolongada que marcou o mês de novembro, considerado um dos mais secos da história na região, já causa prejuízos significativos às lavouras do Triângulo Mineiro. Em entrevista ao Pingo do J, o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Uberaba (SRU), Vinícius José Rios Rodrigues, afirmou que produtores que plantaram soja no período recomendado, a partir da segunda quinzena de outubro, estão perdendo lavouras por falta de chuvas. Muitos, segundo ele, tiveram que replantar e, mesmo assim, já enfrentam risco de perda também nesse segundo plantio.
Rodrigues explica que o plantio em outubro não foi erro técnico, mas uma decisão alinhada às recomendações agronômicas da região. Ele lembra que a segunda quinzena de outubro é justamente a ideal para alcançar as melhores produtividades, especialmente da soja, e que as chuvas registradas no início do período indicavam condições favoráveis para seguir com o plantio. “Para a nossa região, a melhor data de produtividade da soja é a partir de 15 de outubro. É a janela que dá as maiores chances de resultado. Quem plantou nesse período acertou. O problema é que choveu no início, a gente pressupunha que continuaria, e não continuou”, afirmou.
Com relação ao milho, o dirigente do sindicato relatou que a situação se repete em diversas áreas do Triângulo e Alto Paranaíba. “Todas as lavouras que vimos, estão passando sufoco. E muitas áreas ainda nem foram plantadas”, disse. De acordo com ele, quem plantar tarde corre risco de perder a safrinha de milho, já que o atraso empurra a colheita e inviabiliza a segunda safra dentro do período ideal. “A safrinha de milho já está comprometida. Pode até entrar sorgo ou girassol, mas milho não; só irrigado”, ressaltou.
Com a perspectiva de redução da oferta, Rodrigues prevê reação de mercado. “O milho deve subir de preço. Não é que eu espero que suba, mas suponho que vá, porque o mercado reage imediatamente ao que vê no campo, que, no caso, é atraso de plantio e quebra de safra. A soja também pode reagir, pelos mesmos motivos”, comentou.
Além das perdas agrícolas, a seca trouxe um debate paralelo: o possível desvio de água do Rio Claro por produtores rurais. O presidente do sindicato confirma que o tema já é conhecido e que existe um acordo formal, firmado entre Codau, irrigantes e Ministério Público, para limitar a captação. Segundo Rodrigues, esse acordo está sendo cumprido. “Os irrigantes estão captando menos do que se comprometeram. Tem muito pivô desligado”, garantiu.
Por fim, ele reforça a necessidade de medidas estruturais para evitar que a crise se repita. “Se o problema do abastecimento não for resolvido, todo ano vamos passar por essa penúria”, concluiu Rodrigues.
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