
(Foto/Divulgação)
A dificuldade em lidar com frustrações tem refletido diretamente no comportamento de jovens no mercado de trabalho, contribuindo para o abandono precoce de empregos e atividades profissionais. A avaliação é do psicanalista Rodrigo Silveira, que analisa o fenômeno a partir da construção de metas e do desenvolvimento emocional desde a infância.
Em entrevista à Rádio JM, o especialista explica que muitos jovens ingressam no mercado de trabalho sem ferramentas emocionais para lidar com limites, cobranças e processos graduais de crescimento profissional. Quando os resultados não aparecem imediatamente, a tendência, segundo ele, é a desistência.
“Muitas vezes, a pessoa nem consegue identificar o que a impede de continuar. São processos inconscientes que atravessam e dificultam a permanência”, afirma.
Ainda conforme o especialista, a frustração desempenha papel fundamental no amadurecimento profissional, e a ausência dessa vivência pode gerar dificuldades de adaptação às rotinas e exigências do mercado.
O especialista destaca que esse comportamento pode ter origem ainda na infância, marcada pelo excesso de estímulos e recompensas imediatas. “Antes mesmo de terminar de brincar com um brinquedo, a criança já parte para outro, tendendo a se repetir mais tarde no ambiente de trabalho”, pontua.
Tempos depois, quando os brinquedos são substituídos por aparelhos celulares e as redes sociais, o comportamento intensifica. “Tem uma frase famosa na psicanálise, que todo excesso esconde uma falta. Com as redes sociais nós também estamos mascarando essa falta e nos dopando com satisfação imediata, para que eu tenha um retorno ali e evite a frustração. Porém, esse sentimento é importante, pois o desejo se movimenta através da falta. É uma condição inerente ao ser humano”, finaliza.