CIDADE

Bancários se reúnem em nova manifestação contra onda de demissões em Uberaba

Rafaella Massa
Publicado em 15/12/2021 às 12:01Atualizado em 19/12/2022 às 00:51
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Foto/Jairo Chagas

Duas agências do banco Itaú, em Uberaba, estão com serviços paralisados devido a manifestações do Sindicato dos Bancários de Uberaba e região (Sindban) na porta dessas unidades. Segundo o representante da categoria, Diego Bunazar, as manifestações acontecem como uma cobrança por parte do Sindban para que o banco reverta a onda de demissões que aconteceram no segundo semestre deste ano. Portanto, as agências Itaú da avenida Leopoldino de Oliveira, localizada no centro da cidade, e na avenida João XXIII, no bairro Parque das Américas, não terão funcionamento nesta quarta-feira (15).

Em relação às demissões ocorridas neste ano, o presidente do sindicato afirma que no mês de maio, Uberaba contava com 116 colaboradores do banco Itaú. No entanto, já no mês de setembro, esse quadro de funcionários foi reduzido para 96, ou seja, uma queda de 16% aproximadamente no número de funcionários. 

“E com a vinda da folha de pagamento do Estado isso agravou muito. A demanda de serviço aumentou muito. O que a gente tem visto e o relato dos colegas pessoalmente é de chegar na agência para trabalhar às 8h da manhã e conseguir chegar em casa às 19h ou 20h, não ter condições de almoçar no horário adequado. Então, a gente vê os colegas aqui às 15h30, 16h indo para o almoço. E isso é ruim pra nós, mas isso também é ruim pros clientes, até porque as filas do Itaú têm ficado famosas na cidade, com autuações do Procon e tudo mais”, explica. 

Bunazar afirma que "isso é o tipo de situação que não tem mágica". Na sua avaliação, o aumento da demanda de atendimentos leva à crescente necessidade de mais funcionários para ofertar o serviço. “Aumentou-se absurdamente a demanda de atendimentos, e para atender uma abertura de conta, que é um processo mais demorado em qualquer banco que seja, você precisa de mão de obra, precisa de trabalhadores”, afirma Bunazar. 

Portanto, nesta quarta-feira, membros do sindicato aderiram ao movimento que acontece em todo o país e paralisaram as agências da av. Leopoldino de Oliveira e avenida da João XXIII, que seriam os quadros mais deficitários na avaliação do Sindban.

Esta é a terceira manifestação realizada pelo Sindicato dos Bancários em Uberaba, sendo que a primeira aconteceu na porta do banco Santander, também na avenida Leopoldino de Oliveira, em novembro deste ano. A segunda aconteceu também no mês de novembro em frente ao banco Bradesco, também na avenida Leopoldino. 

“Tivemos uma sequência agora nos meses de novembro e dezembro, estamos concluindo agora. Fizemos trabalhos no Bradesco, no Santander e agora no Itaú, mas trazendo as situações específicas de cada banco. No caso do Bradesco, em questão da falta de segurança nas unidades de negócio, no Santander foi a condição de trabalho, falta de mão de obra, cobrança excessiva de metas, que é uma coisa mais ou menos comum em todas as empresas do sistema financeiro”, conta Bunazar. 

Ainda de acordo com Bunazar, o quadro já existia antes do período pré-pandemia, porém, foi agravado nos últimos meses. “Os bancos fazem uma leitura, talvez, de que tenha crescido demais o atendimento digital, mas é algo que não me convence. Porque as filas seguem explodindo para todos os lados e em todos os bancos. Então, na prática, o que eu acabo enxergando é que os bancos acabam forçando a digitalização jogando a qualidade do atendimento para baixo. Isso é ruim para o cliente e para nós é demais, porque a sobrecarga de trabalho tem um reflexo de médio/longo prazo na saúde do trabalhador que é devastadora. Então, são empresas que lucram bilhões e não tem a menor justificativa para atender mal, para atender sem qualidade e para jogar tanto peso nas costas de quem trabalha nelas”, analisa o presidente do sindicato. 

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