
Médico oncologista Raul Dutra alerta que o câncer colorretal pode ser prevenido com atenção à alimentação, com baixo consumo de alimentos industrializados, além de uma vida saudável (Foto/Divulgação)
O câncer colorretal tem se tornado uma preocupação crescente em Uberaba e já ocupa a terceira posição entre os que mais causam mortes na cidade. Em entrevista à Rádio JM, o oncologista Raul Dutra destacou o aumento no número de casos, inclusive entre pacientes mais jovens, e reforçou a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
O avanço da doença, no entanto, chama atenção pelo perfil dos pacientes. Tradicionalmente mais comum após os 50 anos, o câncer colorretal tem sido identificado com maior frequência em pessoas abaixo dessa faixa etária. “O volume de casos tem aumentado bastante e, infelizmente, o número de óbitos também”, afirma.
De acordo com Raul Dutra, o estilo de vida está diretamente ligado a esse cenário. “Hoje, grande parte da nossa alimentação é industrializada, com conservantes, corantes, e isso tem impacto direto”, explica.
O médico também destaca que homens e mulheres são atingidos na mesma proporção e com níveis semelhantes de agressividade. “Tanto homem quanto mulher estão sujeitos aos mesmos hábitos hoje em dia, então a incidência acaba sendo muito parecida”, pontua. Apesar disso, o principal desafio continua sendo o diagnóstico em fases iniciais. “O câncer é agressivo, mas quando a gente descobre no começo, a gente muda completamente o desfecho”, disse.
Para rastreamento, a recomendação é que homens e mulheres realizem colonoscopia a partir dos 45 anos. Em casos de histórico familiar, o acompanhamento deve começar antes. “Se tem alguém na família que teve câncer cedo, é preciso começar o rastreio antes, às vezes até cinco anos antes da idade do diagnóstico”, orienta.
O acesso ao exame, no entanto, ainda é um obstáculo em Uberaba. Recentemente, a Justiça atendeu a um pedido do Ministério Público de Minas Gerais e determinou que o município reduza a fila de espera para colonoscopias. Dados apontam que o número de pacientes aguardando pelo exame saltou de cerca de 500, em 2018, para quase 3 mil em 2024, com pessoas esperando por meses ou até anos.
A decisão reconhece falhas no atendimento e estabelece prazos para reorganização da fila, priorização de casos mais graves e redução do tempo de espera, justamente para evitar que doenças como o câncer sejam diagnosticadas tardiamente.
Outro ponto de atenção são as mudanças no funcionamento do intestino. Segundo o oncologista, alterações no hábito intestinal devem ser investigadas. “O que chama atenção é a mudança. Se o intestino funcionava de um jeito e passa a funcionar de outro, isso precisa ser avaliado”, alerta.
Apesar disso, ele ressalta que nem todo caso de intestino preso está relacionado ao câncer. “Não é porque a pessoa tem intestino constipado que ela vai ter câncer. A gente precisa entender o contexto, alimentação, ingestão de água”, explica.
Além dos exames, hábitos saudáveis são fundamentais tanto na prevenção quanto no controle da doença. “São coisas simples de falar, mas difíceis de fazer no dia a dia: comer melhor, fazer atividade física, beber água”, destaca.
Diante do aumento dos casos, Raul Dutra reforça que a atenção aos sinais e a realização de exames periódicos são essenciais. O diagnóstico precoce segue sendo o principal aliado para reduzir a mortalidade e ampliar as chances de tratamento eficaz.