Greve dos funcionários dos Correios de Uberaba completou uma semana. Mais de 40 carteiros continuam de braços cruzados
Greve dos funcionários dos Correios de Uberaba completou ontem uma semana. Mais de 40 carteiros continuam de braços cruzados na porta da agência dos Correios na avenida Fidélis Reis, reivindicando melhorias salariais. Na ultima segunda-feira (26), como gesto de protesto, os grevistas doaram sangue no Hemocentro Regional de Uberaba.
De acordo com diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa de Correios e Telégrafos e Similares, Wolnei Capolli, 35 grevistas doaram espontaneamente sangue. “Há anos os funcionários dão o sangue pela empresa e nunca foram valorizados, desta vez o sangue foi doado para quem realmente precisa”, afirma o sindicalista.
As negociações para o fim da paralisação estão acontecendo desde terça-feira (28) entre os representantes do sindicato e os Correios, para elaboração de um Acordo Coletivo 2011/2012. O acordo está sendo discutido a partir da proposta reapresentada pela empresa, de reajuste salarial e de benefícios em 6,87%, aumento real de R$50 e abono de R$800.
“As informações são extraoficiais, não há nada definitivo e nenhum acordo, as discussões giram em torno de um reajuste que atenda aos dois lados e também sobre o abono dos dias de greve. A empresa queria descontar todo este tempo no nosso salário, mas não aceitamos. A gente pede mais contratações, menos horas trabalhadas e mais dignidade com o trabalhador”, afirma o sindicalista, ressaltando que o reajuste salarial que a categoria luta é de 7,16%.
Em Uberaba, 128 carteiros fazem o serviço de distribuição de correspondências e encomendas. A maioria dos funcionários que aderiram à greve é formada por carteiros da unidade centro, sendo que 44 carteiros assinaram a lista de greve. Para substituir os funcionários grevistas, os Correios estão trazendo carteiros de outras cidades.
Entretanto, a informação repassada ao Jornal da Manhã é de que os carteiros substitutivos estão trabalhando além do horário normal, que é de oito horas por dia e no máximo duas horas extras. Entretanto, os funcionários chegam a trabalhar de dez a 12 horas por dia, além dos fins de semana.
Por sua vez, segundo a assessoria de imprensa dos Correios, a empresa está adotando medidas contingenciais para minimizar os prejuízos à sociedade; como a realocação de empregados, mutirões de fim de semana e realização de horas extras.
Em relação ao limite de duas horas extras por dia, este valor é estipulado pelo artigo 59 das Convenções das Leis do Trabalho (CLT). Já o artigo 61 acrescenta que em caso de necessidade imperiosa, a duração do trabalho poderá se exceder do limite legal ou convencionado. Os Correios informam, ainda, que todas as horas extras serão devidamente remuneradas.