BUROCRACIA

Remédio no supermercado? Setor vê barreiras para novo modelo chegar a Uberaba

Empresário afirma que lei não libera venda em prateleiras comuns e exige operação semelhante à de uma drogaria

Débora Meira
Publicado em 04/05/2026 às 17:04
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A nova lei que autoriza a instalação de farmácias dentro de supermercados em todo o país ainda deve enfrentar barreiras práticas para sair do papel em cidades como Uberaba. A avaliação é de representantes do setor farmacêutico, que apontam exigências estruturais, custos operacionais e regras sanitárias como principais entraves à adoção do modelo.  

Em entrevista ao Pingo do J, da Rádio JM, o empresário do setor e ex-presidente da CDL Uberaba, Fernando Xavier, reforçou que o modelo não representa uma liberação ampla de medicamentos dentro do varejo alimentar. “Já tem a lei, já está aprovada. A discussão é como isso vai ser aplicado”, afirma. 

A legislação permite o formato “store in store”, no qual a farmácia funciona dentro do supermercado, mas em área totalmente separada e com funcionamento semelhante ao de uma drogaria convencional. 

Segundo Xavier, a operação exigiria estrutura específica dentro dos supermercados, com área delimitada e regras rigorosas de vigilância sanitária. “Não é o supermercado ir lá e colocar medicamento na prateleira. Tem que ter um espaço delimitado, fechado, com estrutura legalizada pela Vigilância Sanitária”, explica. 

A exigência de farmacêutico em tempo integral também é vista como um dos principais fatores que podem limitar a adesão do modelo. “Tem que ter farmacêutico o tempo integral, tem que cumprir essas obrigações que toda farmácia tem”, reforça. 

Apesar da justificativa de que a medida poderia ampliar a concorrência e reduzir preços, Fernando Xavier avalia que o impacto para o consumidor tende a ser limitado, já que o setor farmacêutico é altamente competitivo. “Concorrência já temos demais. Isso não é o que vai fazer baixar preço”, informa. 

O empresário também destaca que o mercado já é pressionado por grandes redes, que possuem maior poder de negociação com a indústria e conseguem melhores condições de compra. “As grandes redes são muito fortes e compram direto da indústria. As pequenas não têm esse acesso”, explica. 

Na avaliação dele, essa diferença de escala já cria uma desigualdade competitiva no setor, independentemente da entrada de novos players, como supermercados. “Muitas vezes as pequenas redes compram de distribuidoras, enquanto as grandes compram produção direto do laboratório”, afirma. 

O setor supermercadista também reconhece os desafios. Em reportagem recente do Jornal da Manhã, a Associação de Supermercados do Triângulo Mineiro (Assuper) avaliou que a adaptação exigirá adequação de espaço físico, contratação de farmacêuticos e cumprimento rigoroso de normas sanitárias, o que pode inviabilizar a operação na maioria dos estabelecimentos.
 

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