HISTÓRIAS DE UBERABA

Casarão no Centro e registro no quarto de Chico Xavier guardam histórias curiosas de Uberaba

Uma antiga tragédia familiar e uma luz captada durante a internação do médium fazem parte de relatos que atravessam gerações

Débora Meira
Publicado em 30/10/2026 às 11:25
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(Foto/Arquivo JM)

Um terreno vazio no Centro de Uberaba e uma imagem registrada dentro de um hospital estão entre as histórias que alimentam o imaginário popular da cidade. Em comum, os dois episódios envolvem acontecimentos cercados de dúvidas e interpretações que, ao longo dos anos, ganharam contornos misteriosos. 

Uma antiga residência na esquina da Praça Rui Barbosa ficou conhecida por uma tragédia familiar associada à tuberculose e pela crença de que construções não prosperariam no local. Já durante a internação de Chico Xavier, em 2002, uma câmera registrou um objeto luminoso que parecia entrar pela janela do quarto do médium, no Hospital Doutor Hélio Angotti. 

As histórias voltam à tona com a proximidade do Halloween, celebrado em 31 de outubro. Embora tenham origens diferentes, ambas mostram como acontecimentos reais, relatos e interpretações populares se misturam e permanecem na memória de Uberaba. 

O casarão da esquina da Praça Rui Barbosa 

Atualmente ocupado por um estacionamento, o terreno na esquina das ruas Olegário Maciel e Santo Antônio, ao lado da Catedral Metropolitana, já abrigou um casarão ligado a uma família tradicional de Uberaba. O imóvel ficou conhecido por uma sequência de mortes provocadas pela tuberculose no início do século XX. 

A história é marcada por diferentes versões, mas registros reunidos em uma reportagem publicada pelo Jornal da Manhã em 2020 apontam que a residência foi construída em meados do século XIX, por determinação do Capitão Manoel Prata. No local, viveram sua filha, Anthonia Mathilde Prata, conhecida como Antoninha, e o marido dela, Wesceláu Pereira de Oliveira, que ocupava o cargo de agente executivo, função equivalente à de prefeito atualmente.   

O casal teve nove filhos. Três das filhas, Olívia, Bembem e Júlia, não se casaram e morreram no casarão, vítimas da tuberculose. A doença também atingiu dois netos da família, Lauro e Borgico, filhos de Tonica, que moravam em uma residência vizinha. 

Na tentativa de encontrar tratamento, os irmãos foram para a Suíça, onde morreram em 1913 e 1914, respectivamente. Na época, acreditava-se que o ar das regiões montanhosas poderia ajudar na recuperação de pessoas com tuberculose. 

A tragédia deu origem a relatos sobre o imóvel. Uma das versões conta que a casa foi demolida para evitar a propagação da doença. Outra aponta que, depois das mortes, ninguém teria conseguido estabelecer um empreendimento no terreno. A residência teria sido demolida ainda na década de 1910, mas há divergências sobre alguns detalhes de sua história. 

Em reportagem de 2020, o JM Online ouviu moradores antigos da região. Um deles confirmou ter conhecido o terreno sem o casarão, mas afirmou que não sabia de outros imóveis construídos ali. A publicação também destacou que não há fotografias conhecidas que mostrem a residência por inteiro. 

O episódio voltou a ganhar visibilidade em 2025, quando o curta-metragem uberabense “Cabeça de Boi”, dirigido por Lucas Zacarias, foi produzido a partir da história do terreno. A obra mistura elementos documentais e ficcionais para abordar a tragédia familiar, as crenças populares e o apagamento de personagens da memória da cidade.   

A luz que teria entrado no quarto de Chico Xavier 

Outra história que desperta curiosidade envolve um registro feito durante a internação de Chico Xavier, em 2002. Naquele período, o médium estava no Hospital Doutor Hélio Angotti, em Uberaba, em tratamento contra um quadro grave de pneumonia nos dois pulmões. 

Nas imagens descritas pela publicação, a luz aparece descendo em direção à janela e, durante o percurso, parece se dividir em dois feixes. Ao passar pela abertura, volta a formar um único ponto luminoso. 

O registro alimentou interpretações entre pessoas que acompanham a trajetória do médium e sua relação com o espiritismo. Para alguns, a imagem ganhou significado espiritual; no entanto, não há comprovação sobre a natureza do objeto ou sobre o que teria provocado o efeito registrado pela câmera. 

A história passou a integrar o conjunto de relatos misteriosos associados a Chico Xavier, cuja trajetória teve forte ligação com Uberaba e marcou a identidade religiosa e cultural do município. 

Os dois episódios têm pontos de partida diferentes: um está ligado a uma tragédia familiar registrada na história da cidade; o outro, a uma imagem que despertou interpretações diversas. Com o passar do tempo, ambos passaram a circular também como histórias misteriosas. 

Entre fatos documentados, versões transmitidas por moradores e elementos do imaginário popular, os relatos mostram como determinados acontecimentos continuam despertando a curiosidade de quem vive em Uberaba, especialmente em datas dedicadas ao mistério e às histórias de assombração.

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