Município passou de 157 registros em 2020 para 695 em 2025; em 2026, já são 320 notificações até agosto
Em 2026, até 5 de agosto, foram contabilizados mais 320 casos. (Foto/Divulgação)
Os casos de sífilis adquirida aumentaram 343% em Uberaba entre 2020 e 2025, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). O município saiu de 157 registros no início da série para 695 no ano passado, em uma sequência de crescimento que se manteve ao longo de cinco anos. Em 2026, até 5 de agosto, foram contabilizados mais 320 casos.
A evolução aparece ano após ano. Em 2021, Uberaba registrou 309 casos, quase o dobro do total de 2020. Em 2022, foram 348 notificações, aumento de 12,6%. No ano seguinte, o número chegou a 423, alta de 21,6%. Em 2024, foram 571 registros, crescimento de 35% em relação ao ano anterior. Já em 2025, o total subiu para 695, avanço de 21,7%.
O resultado de 2025 representa mais de quatro vezes o número registrado em 2020. A sequência reforça a importância de manter a atenção à prevenção, à testagem e ao tratamento da infecção. Os dados, no entanto, mostram o crescimento das notificações, mas não permitem concluir, isoladamente, quais fatores explicam essa alta.
Neste ano, os 320 casos registrados até 5 de agosto colocam Uberaba na sétima posição entre os municípios mineiros com mais notificações. Belo Horizonte lidera o levantamento, com 3.063 casos, seguida por Contagem, Santa Luzia, Conselheiro Lafaiete, Governador Valadares e Betim. Como os dados de 2026 são parciais, a comparação com os anos anteriores exige cautela.
Perfil dos casos
O recorte por idade e sexo mostra maior concentração entre homens de 20 a 39 anos. Na faixa dos 20 aos 29 anos, foram 78 registros masculinos e 45 femininos. Entre pessoas de 30 a 39 anos, houve 50 casos em homens e 24 em mulheres. Entre adolescentes de 10 a 19 anos, o cenário se inverte: foram 24 registros entre mulheres e oito entre homens.
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum, transmitida principalmente por relações sexuais sem preservativo com uma pessoa infectada. Diferentemente da sífilis congênita, transmitida da gestante para o bebê durante a gravidez ou o parto, a forma adquirida é contraída ao longo da vida. A doença pode passar despercebida, pois nem sempre apresenta sintomas. Apesar disso, tem cura, e o diagnóstico e o tratamento são oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O uso de preservativos, a realização de testes após possíveis exposições e a avaliação das parcerias sexuais ajudam a prevenir a transmissão e a reinfecção. Quem teve relação sexual sem preservativo ou suspeita de exposição deve procurar uma unidade de saúde para receber orientação e fazer o teste.