
Os trabalhos estão em andamento, com previsão de conclusão em novembro deste ano (Foto/Divulgação)
Uma erosão que se desenvolve há vários anos em Peirópolis, distrito de Uberaba, motivou uma obra de contenção da Companhia Operacional de Desenvolvimento, Saneamento e Ações Urbanas (Codau). A intervenção busca impedir que a água das chuvas continue desgastando o terreno e ampliando a área afetada. Os trabalhos estão em andamento, com previsão de conclusão em novembro deste ano.
A solução adotada envolve a construção de um dissipador de energia, equipamento que receberá a água de três redes de drenagem pluvial, cada uma com um metro de diâmetro. A estrutura funciona como uma espécie de freio para o escoamento, reduzindo a velocidade e a força com que a água atinge o solo. A medida pretende diminuir o risco de agravamento da erosão durante os períodos chuvosos.
Além do controle da água, a Codau executa a contenção dos taludes, nome dado às superfícies inclinadas do terreno. Para isso, será utilizado o enrocamento, técnica que consiste na colocação de pedras para proteger o solo contra a força da água e reduzir o desgaste das encostas.
Segundo a companhia, a expectativa é estabilizar a área afetada e melhorar as condições de drenagem pluvial. O comunicado, entretanto, não detalha a extensão da erosão, o valor investido na intervenção nem a localização exata do trecho em obras.
Problemas de drenagem em Peirópolis já foram alvo de investigação
A situação ambiental de Peirópolis já havia chamado a atenção do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Em março de 2024, a coluna Falando Sério, do Jornal da Manhã, noticiou a existência de um inquérito civil para apurar irregularidades ambientais no distrito, incluindo problemas relacionados aos sistemas de tratamento de esgoto e de drenagem pluvial.
Na ocasião, o procedimento também abrangia um processo erosivo atribuído, conforme as informações divulgadas à época, a condutas do poder público e a atividades de implantação de um empreendimento imobiliário. O Ministério Público ainda avaliava a possibilidade de celebrar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Codau. Não há, no comunicado atual da companhia, informação sobre eventual relação entre a obra anunciada e aquele procedimento, tampouco sobre o andamento da investigação.
Mais recentemente, em maio de 2026, o Jornal da Manhã divulgou um levantamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB) que identificou oito áreas de risco em Uberaba, sendo sete de risco alto e uma de risco muito alto, associadas a problemas como erosões, enxurradas, inundações e instabilidade de terrenos.
Embora o estudo tenha identificado mais de 230 pessoas vivendo em áreas de risco no município, em Peirópolis não foi constatado risco relevante para moradias. A conclusão, no entanto, não significa ausência de processos erosivos em terrenos do distrito, como demonstra a necessidade da intervenção agora anunciada pela Codau.
A utilização de dissipadores de energia já faz parte de outras intervenções de drenagem realizadas pela Codau em Uberaba. Em 2023, a companhia anunciou a implantação de uma estrutura semelhante no bairro Elza Amuí, onde a insuficiência da rede pluvial havia contribuído para a formação de uma erosão na mata ciliar. Na ocasião, a obra incluiu a instalação de 450 metros de tubulação e 24 bocas de lobo duplas.