Alunos entre o 4º e 9º ano saíram às ruas do entorno do Centro Municipal ‘armados’ com apitos e cartazes; o departamento de Zoonoses apoiou a iniciativa com duas motofogs e um carro fumacê
Fotos/Neto Talmeli
Alunos do Centro Municipal de Educação Avançada Cairo Theodoro Baptista, o Cemea Abadia, foram às ruas na manhã desta sexta-feira (26) para manifestar contra os altos índices de proliferação do mosquito Aedes aegypti no bairro. Pela primeira vez, os alunos realizaram o “Apitaço contra à Dengue” em algumas ruas do entorno do centro municipal. Cerca de 25 pessoas, entre profissionais da educação e alunos estiveram presentes. Desse total, 16 são crianças do 4º ao 9º ano da Escola Municipal Professor Geni Chaves.
Mais consciência por parte da população é o lema do ato, que pediu ajuda à comunidade no combate à dengue. “O foco da dengue está contínuo, as pessoas estão pegando a dengue várias vezes. Dentro do projeto, as crianças estão vivenciando o momento na prática. Elas saíram às ruas, onde estavam os focos, e viram que é muita sujeira: é copo descartável, garrafa pet, tampinha, pneus, tudo jogado. Portanto, onde está o erro? Muitas vezes, na própria família e eles detectaram isso”, contou a coordenadora pedagógica do Projeto Espaço de Aprender, Renata Nogueira.
O grupo contou com o apoio do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e também do Centro de Controle de Zoonoses, que forneceu um veículo fumacê e dois motofogs para ajudar no alerta à população. “As outras turmas e os outros Cemeas devem adotar essa ideia. As crianças chegam e falam ‘Professora, como isso é difícil, como as pessoas são porcas. Não adianta ter o fumacê se as pessoas não se cuidam’. É extremamente importante que os alunos passem os conhecimentos adquiridos para as suas famílias, ensinando as atitudes certas”, pondera a coordenadora, destacando que o projeto é proveniente de uma ideia da diretora do Cemea Abadia, Vera Lúcia Gonçalves de Oliveira.
Vulnerabilidade. Presunto, como é conhecido o professor de educação física Leandro Manuel da Silva, esclareceu que as crianças integrantes do projeto estão em estado de vulnerabilidade. “Trabalho com as crianças desde 2014 e conseguimos perceber que são alunos de risco, que passam por problemas de disciplina e déficit de atenção. Mas é um trabalho muito bonito, ficamos amigos e conversamos na linguagem da criança”, afirma.