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Cenoura sobe 14% e puxa alerta para preço dos hortifrútis em Uberaba

Baixa oferta, clima e logística influenciam oscilações nas bancas, segundo produtores

Débora Meira
Publicado em 28/05/2026 às 10:30
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Produtos como cenoura, quiabo, batata, tomate e vagem registraram alta nas últimas semanas em Uberaba e região, refletindo um cenário de baixa produção e dificuldades enfrentadas pelo setor hortifrutigranjeiro. A avaliação é do presidente da Associação dos Produtores de Hortifrutigranjeiros e da Agroindústria Familiar do Vale do Rio Grande (Horvagra), Sérgio Nepomuceno. 

Segundo ele, embora parte dos alimentos ainda mantenha preços estáveis, algumas culturas vêm sofrendo impacto direto da redução na oferta. “Estão tendo alterações em produtos como banana, batata, quiabo, tomate, vagem e cenoura. Geralmente os preços estão estáveis, mas existe uma questão de baixa produção por falta de mão de obra nas lavouras”, afirma. 

Dados dos boletins da Ceasa Uberaba mostram oscilações importantes entre os dias 18 e 28 de maio. A cenoura, por exemplo, saiu da faixa entre R$ 140 e R$ 150 para valores entre R$ 160 e R$ 170, alta de aproximadamente 14%. O maxixe subiu de R$ 80 para R$ 100 no período, enquanto o quiabo teve aumento moderado. 

A maçã gala também apresentou forte variação, chegando a R$ 180 no boletim do dia 25 de maio, antes de recuar parcialmente no levantamento mais recente. 

Por outro lado, alguns itens apresentaram queda expressiva. O jiló acumulou redução de até 43% no período, enquanto o maracujá azedo teve queda de cerca de 25%. Também ficaram mais baratos produtos como morango, melancia e inhame. 

De acordo com Sérgio Nepomuceno, os aumentos são resultado de uma combinação de fatores, incluindo clima, logística e safra, mas a principal dificuldade enfrentada atualmente pelo setor é a redução da produção associada à escassez de trabalhadores rurais. “Um pouco de cada coisa impacta, mas o que mais pesa hoje é a baixa produção e a falta de mão de obra”, explica. 

O presidente da Horvagra também avalia que o consumidor já mudou hábitos diante da alta dos alimentos. Segundo ele, muitas famílias passaram a comprar menos e, em alguns casos, optam por produtos de menor qualidade para conseguir manter o consumo. “Os consumidores se adequaram na quantidade e, às vezes, diminuem a qualidade. A dona de casa tem um olho clínico no geral. E as de Uberaba não ficam atrás”, comenta. 

Ainda conforme Nepomuceno, a recuperação dos preços depende diretamente do equilíbrio entre oferta e demanda. “Mais oferta, preços menores. Menos oferta, preços maiores”, ressalta. 

Além das dificuldades climáticas, o setor também sente reflexos da redução do consumo, especialmente entre famílias da classe C. Segundo o representante da Horvagra, esse enfraquecimento preocupa produtores e comerciantes da região ao longo de 2026.

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