Mesmo com as fortes chuvas e a queda de granizo em Uberaba, os agricultores da região ainda não registraram grandes perdas. Porém, caso esse cenário permaneça, logo as plantações podem ter prejuízo.
De acordo com Sérgio Nepomuceno, presidente da Associação dos Produtores de Hortifrutigranjeiros e da Agroindústria Familiar do Vale do Rio Grande (Horvagra), até o momento o saldo é positivo. “Segundo alguns produtores que me retornaram, não houve perdas significativas nessas primeiras chuvas. Somente está acumulando saldo hídrico”.
Segundo Sérgio, os maiores estragos pela chuva atingem as estradas e áreas de plantio, causando erosão. O presidente da Horvagra ainda explica que os prejuízos não chegam a 5% e atingem principalmente as folhosas como alface, almeirão, couve folha, etc.
No entanto, Nepomuceno explica que caso as chuvas pesadas persistam, podem sim trazer prejuízo aos agricultores. "É aquela história ‘água mole em pedra dura, tanto bate até que fura’. Então, às vezes se aumentar a quantidade e [as chuvas] vierem muito forte, pode ocorrer perdas"
Em Uberaba, a previsão é de chuva de granizo com ventos fortes até esta sexta-feira (7). Segundo a climatologista Wanda Prata, a troposfera baixa está muito aquecida, e a alta, ao contrário, está fria. Esse movimento causa o alinhamento necessário e acarreta na queda de granizo. Além disso, o ciclone traz ventania forte, e são esperados ventos de 45 km/h a 50 km/h.
Por causa das constantes chuvas no Estado, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) recomenda aos produtores rurais que tiverem propriedades atingidas por fortes chuvas de granizo, que busquem orientação profissional especializada.
“As plantas deverão apresentar lesões causadas pelas pedras e que são porta de entrada para doenças fúngicas e bacterianas. Recomendamos que procurem a assistência técnica da Emater para orientação da melhor forma de minimizar o problema. Não se precipitem em fazer podas, às vezes desnecessárias, ou usar produtos 'milagrosos'. Não façam nada sem um acompanhamento técnico”, alerta o coordenador técnico de Culturas da Emater-MG, Sérgio Brás Regina.
Outra recomendação importante feita é para os produtores que têm contrato de crédito rural junto às instituições financeiras, renovadas a partir de 1º de julho deste ano (safra 2022/2023).
“Essas operações, principalmente aquelas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), são cobertas pelo seguro do Proagro e Proagro Mais. O produtor tem um prazo de até três dias após o ocorrido para comunicar as perdas ao agente financeiro, que vai indicar qual profissional fará a vistoria da área afetada”, explica o coordenador estadual de Crédito Rural da Emater-MG, Willem de Araújo.