CIDADE

Cidade registra quatro casos de leishmaniose animal este ano

Número é o dobro do que se verificou ao longo de todo o ano passado, o que chama a atenção da Seção de Zoonoses da Prefeitura

Letícia Morais
Publicado em 22/06/2016 às 08:05Atualizado em 16/12/2022 às 18:24
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Foto/Divulgação

Animal com leishmaniose apresenta apatia, queda de pelos ao redor dos olhos e na orelha, emagrecimento, crescimento exagerado das unhas, conjuntivite e lesões na pele

Já foram registrados quatro casos de leishmaniose animal em Uberaba. O número é o dobro do registrado durante todo o ano de 2015, quando foram constatados dois casos da doença na cidade. As informações são da Secretaria Municipal de Saúde. Para informar e tentar combater a doença, aproximadamente cinco agentes são responsáveis pelo combate diário em toda a cidade, sendo que são feitas armadilhas para encontrar focos do mosquito.

No entanto, o chefe da Seção de Zoonoses, Luiz Gustavo Pinheiro Rodrigues, afirma que a concentração dos trabalhos está no Jardim Copacabana, onde foram registrados três casos da doença. “Temos dois tipos de casos, o autóctone, que é contraído no município, e lóctone, que é importado de uma outra localidade. Após investigação, descobrimos que o dono do animal não era daqui, mas sim do Sul de Minas, então, percorreu várias áreas endêmicas. Por isto, consideramos que o animal contraiu em uma dessas áreas”, pontuou, ressaltando que foi constatado, após pesquisa, que a maioria dos moradores vem de fora e, por isso, uma atenção especial ao combate nessa região.

Tipos da doença. Existem três tipos da doença, segundo Luiz Gustav a visceral, a tegumentar e a muco cutânea, sendo que o calazar é considerado o de maior importância epidemiológica, por atacar as vísceras. “Geralmente, é transmitida por um mosquito bem pequeno, conhecido como mosquito-palha, que tem o tamanho de 1mm a 2mm. No entanto, só as fêmeas que são responsáveis por transmitir a doença”, esclarece.

Sem tratamento, alternativa para combater a doença é a eutanásia, afirma a Zoonoses

De acordo com o chefe da Seção de Zoonoses, Luiz Gustavo Pinheiro Rodrigues, o Leishmania infantum é um protozoário e o agente etiológico da leishmaniose visceral, que se desenvolve em matéria orgânica em decomposição, como fezes. Por isto, a necessidade de se manter o quintal limpo, para que não haja riscos de o mosquito se proliferar.

Segundo Luiz Gustavo, existe um período de incubação de três a sete meses até que os sintomas apareçam no cão. “Depois que a fêmea pica, o cão começa a sentir apatia, queda de pelos ao redor dos olhos e na orelha, emagrecimento, crescimento exagerado das unhas, conjuntivite e lesões na pele. Esses são sinais clínicos, onde observamos se o cão pode estar com a Leishmania”, destaca.

É realizado um teste rápido de leishmaniose visceral canina (LVC) para detectar a doença no cão. “Chamamos de teste rápido DPP (Dual Parth Platform/Pla¬taforma de Duplo Compartilhamento, em tradução livre), que oferece o resultado em cerca de 20 minutos. Para realizar o exame, colhemos uma amostra da orelha do cão e colocamos no kit com reagentes. Se aparecer uma linha, o animal não está infectado; caso apareçam duas linhas, precisamos colher o sangue do animal e fazer um exame mais preciso”, afirma Luiz Gustavo Pinheiro.

Se a doença for realmente constatada no animal, o chefe da Seção de Zoonoses afirma que a alternativa é a eutanásia, visto que não existe cura para o cão. “Existem tratamentos que podem fazer com que o cão progrida um pouco a patologia da doença no organismo dele. No entanto, o animal vai continuar com o parasita e pode transferir essa doença para o ser humano”, salienta. Apesar disso, Luiz Gustavo enfatiza que a eutanásia não é obrigatória, mas considera que o morador precisa compreender a gravidade da situação, já que o cão infectado oferece risco à família e a todos que estão em volta da residência. 

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