Levantamento da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor revela que os cartões de marcas próprias, estão cada vez mais populares
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Cartões de varejistas oferecem taxas a partir de 8,9% ao mês, com custo efetivo total de 178,19% ao ano, até 20,90% ao mês e 875,25% ao ano
Levantamento da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) revela que os cartões de marcas próprias, também conhecidos como “privatelabel”, estão cada vez mais acessíveis e populares. No entanto, a entidade alerta que é preciso muito cuidado, pois quanto mais fácil o crédito oferecido, mais caro ele é. Ou seja, é dessa forma que o risco da operação é compensado. É preciso atenção não só aos juros cobrados, mas também à cobrança de anuidade, por exemplo. Um simples cartão pode atrapalhar toda a vida financeira de uma família e por longo prazo.
A associação avaliou 37 cartões de vários estabelecimentos, como as principais lojas de departamento, supermercados e empresas ligadas ao ramo de combustíveis espalhados pelo país, e constatou que eles não são tão vantajosos quanto aparentam. A entidade alerta que uma das taxas de juros mais altas do mercado de crédito é a do crédito rotativo. Nos cartões de lojas essas taxas também seguem altíssimas. Há taxas a partir de 8,9% ao mês, com CET (Custo Efetivo Total) de 178,19% ao ano, até 20,90% ao mês e 875,25% ao ano. É o caso dos cartões da Riachuelo, que estão acima do juro médio do rotativo dos cartões convencionais, que é de 334,5% ao ano.
Economista diz que o crédito é um produto na prateleira do varejista
Segundo o professor e economista Marco Antônio Nogueira, o princípio de existência desses cartões é ser mais uma fonte de faturamento de uma rede varejista ou de supermercados. “É preciso entender que esse é um produto, além daquele que está na prateleira. E hoje nós sabemos que empresas, como do ramo de eletrodomésticos, ganham muito mais no financeiro do que propriamente vendendo o produto físico. O que tem acontecido, e é algo que precisa ser questionado na Justiça, é que se você for pagar com um cartão seu, de uma determinada bandeira, que alguns estabelecimentos não aceitam. Só aceitam aqueles que são conveniados à loja”, alerta.
O economista chama a atenção para um outro problema, o parcelamento. “Quando eles dizem que parcelam, estão aproveitando outra característica do brasileiro, que jamais olha a taxa de juros e se atenta ao valor da parcela que cabe no seu bolso. Obviamente, em um país em que 45% das pessoas têm algum tipo de dívida, dos quais 30% dizem que não vão conseguir pagar, é uma tentação cair nesse crédito rotativo pagando um juro exorbitante. Por isso, é preciso muito cuidado, tentando, sempre que possível, negociar com outros tipos de cartões com taxas de juros menores”, frisa Nogueira.
Além dos juros altos, o economista ressalta que a maioria dos cartões dos estabelecimentos comerciais ainda cobra anuidade, mas aqueles que não cobram são uma ilusão, pois aquilo que não está na anuidade é cobrado embutido nas taxas de juros. “ Há uma máxima na economia, cunhada por um americano, que diz não existir almoço grátis. Uma loja de alimentos ou roupas que tem um cartão próprio está buscando uma outra fonte de faturamento. Diante de um processo de compra, a dica é fazer aquelas três perguntas clássicas: eu quero? Eu posso? Eu preciso? Se fizermos essas perguntas em pelo menos 30% das nossas compras, não entraremos em dívidas”, recomenda o economista.