CDL aponta transformação do varejo e dificuldade para preencher postos em alguns segmentos
O comércio de Uberaba fechou os oito primeiros meses de 2026 com saldo negativo de 385 empregos com carteira assinada, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No período, foram 9.280 admissões e 9.665 desligamentos. Apenas fevereiro e julho registraram mais contratações do que demissões.
O resultado positivo apareceu em fevereiro, com saldo de 72 vagas, e voltou a ocorrer em julho, também com 72 postos. Nos demais meses, o número de desligamentos superou o de admissões. O pior resultado até agosto foi registrado em janeiro, com saldo de -155, seguido por agosto, que terminou com -116 vagas.
A sequência mostra oscilação no mercado de trabalho do setor. Em março, o saldo ficou negativo em 39 empregos; em abril, em 120; maio teve -79 e junho, -20. Depois do resultado positivo de julho, o comércio voltou a fechar no vermelho em agosto, com 1.110 admissões e 1.226 desligamentos.
Para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Uberaba (CDL Uberaba), os números não significam necessariamente redução do consumo na cidade. O presidente da entidade, Lourival Ferreira da Costa, avalia que o comércio passa por uma transformação estrutural, com mudanças no perfil das vendas e na demanda por mão de obra.
“Não é que o uberabense parou de consumir. As lojas físicas estão migrando para o digital e para múltiplos canais de venda. Há demissões de um lado, e, ao mesmo tempo, grande procura por profissionais do outro”, afirma Lourival.
Segundo o presidente da CDL, existe um descasamento entre as vagas disponíveis e os profissionais que procuram emprego. Ele cita como exemplo supermercados, padarias e farmácias, que, segundo a entidade, encontram dificuldades para preencher postos, enquanto segmentos tradicionais do varejo, como vestuário e acessórios, reduzem equipes.
A CDL também aponta os juros elevados e a concorrência de produtos importados de baixo valor como fatores que pressionam os comerciantes. Na avaliação da entidade, a combinação desses fatores, somada à migração das vendas para o ambiente digital, exige qualificação dos trabalhadores e adaptação dos lojistas aos diferentes canais de comercialização.
A expectativa da entidade é de melhora nas contratações nos próximos meses, principalmente com a movimentação do comércio no fim do ano. Lourival afirma que setores como supermercados, farmácias e padarias devem continuar demandando mão de obra, enquanto o varejo busca ampliar a presença no comércio eletrônico.