CIDADE

Corpo fica à espera de funeral por 12 horas no Serra Dourada

Quando é detectado o caso de uma família sem condições financeiras para o funeral, a Seds disponibiliza assistente social

Thassiana Macedo
Publicado em 26/03/2014 às 10:30Atualizado em 19/12/2022 às 08:28
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Na noite da última segunda-feira (24), Antônio, de 59 anos, morreu de causas naturais em casa. Como não tinha familiares, como irmãos, filhos ou outros parentes, a companheira acionou os vizinhos no bairro Serra Dourada para procurar uma solução. Embora fosse de baixa renda e não tivesse parentes, Antônio não atendia aos critérios do Auxílio Funeral, fornecido pela Prefeitura de Uberaba. No entanto, a maioria das pessoas que realmente precisam não conhecem o programa. Sem orientação, a companheira de Antônio não sabia o que fazer e o corpo dele permaneceu no sofá de casa por mais de 12 horas.

De acordo com a coordenadora do Núcleo de Assistentes Sociais da Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds), Vânia Guarato, o programa Auxílio Funeral foi criado em 25 de abril de 1988 pela Lei Municipal 4.042, cujo artigo 2º tem como objetivo oferecer atendimento funerário a quem não tem condições. “Por isso, o serviço só é oferecido para indigentes ou pessoas em situação de extrema pobreza. Ou seja, para famílias que recebem o Bolsa Família, porque são famílias que realmente estão em situação de extrema pobreza. Essas famílias é que estão sendo atendidas. Sabemos que é algo que, quando acontece, ninguém está preparado. Nunca temos condições para assumir esse gasto de uma hora para outra. Por isso, se não tiverem o Bolsa Família, não há como fazermos o atendimento, mas as funerárias facilitam e parcelam”, explica.

Somente em 2013, o programa atendeu 60 famílias carentes ou indigentes. Este ano, 15 funerais já foram realizados após encaminhamento da Seds a cada uma das quatro funerárias credenciadas ao programa em Uberaba. Em média, cada funerária atende cerca de quatro famílias carentes ou indigentes por mês. Nestes casos, a funerária é que fornece o atendimento. Tanto a família quanto a Prefeitura não pagam pelo serviço.

Vânia Guarato alerta que é muito importante que as pessoas forneçam as informações corretas, pois as funerárias têm disponibilidade de atender somente a quem realmente precisa. Famílias com condições financeiras - e que podem receber algum tipo de herança - podem acabar tirando de uma família em situação de extrema pobreza a oportunidade de dar um funeral digno a um parente.

A coordenadora ressalta ainda que a Seds oferece todas as orientações necessárias e quando é detectado o caso de uma família sem condições financeiras para o funeral, mas que também não recebe o Bolsa Família, assistentes sociais fazem uma avaliação da situação e podem ou não incluí-la no atendimento pelo Auxílio Funeral.

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