Para a maioria esmagadora da Casa, não existe nenhum indício de irregularidade na autarquia que justifique uma CEI
Mesmo com uma extensa pauta, contendo dez projetos, alguns deles remanescentes de sessões anteriores, os vereadores dedicaram pelo menos uma hora ontem discutindo a possibilidade de instalar uma Comissão Especial de Inquérito sobre o Codau. Para a maioria esmagadora da Casa, não existe nenhum indício de irregularidade na autarquia que justifique uma CEI, contudo, o plenário aprovou o envio de um ofício ao Centro Operacional de Desenvolvimento e Saneamento de Uberaba solicitando a presença da diretoria e técnicos na reunião ordinária desta quarta-feira, às 14h.
Um dos autores da proposta para instalação da CEI, Marcelo Borjão (PMDB) entende que a iniciativa de levar representantes do Codau ao Legislativo visa a esvaziar uma investigação profunda, especialmente depois dos problemas com o abastecimento que deixaram centenas de milhares de pessoas sem água por 15 dias. Conhecido por seu perfil explosivo – que já lhe rendeu uma investigação por quebra de decoro parlamentar junto à Comissão de Ética da Casa –, o peemedebista mostrou-se mais comedido ao dizer que não vai sofrer por conta dos posicionamentos dos colegas.
Alegando que está fazendo a sua parte e que graças a Deus aprendeu a dominar sua ira nessas situações, deixou o julgamento nas mãos dos eleitores. “Vamos ver o que a população vai falar disso”, disparou ele, lembrando que a iniciativa da CEI nasceu no palanque do 7 de Setembro durante conversa com um grupo de formadores de opinião. No local estavam – além de Borjão – o presidente e o vice da CMU, respectivamente, Luiz Dutra (PDT) e Itamar Ribeiro de Rezende (DEM).
O pedetista entende que uma decisão precipitada pode não surtir o efeito desejado e, nesse sentido, explicou que é preciso, primeiro, haver elementos concretos de dolo, negligência e imprudência para instalar a CEI. Especificamente sobre o poço profundo no Reservatório 6, disse que foi conferir a situação pessoalmente e constatou que o problema é técnico. “Mas a falta de água em Uberaba não ocorre só por isso. É preciso tomar medidas para preparar o município para a demanda crescente e até buscar o líquido em outros rios, além de fazer as reformas necessárias nas estações de tratamento”, defendeu. Para ele, a situação pode ser fruto da omissão de todos os governantes do passado até chegar onde estamos, porque não planejaram pensando no futuro.
Através de nota oficial, o prefeito Anderson Adauto (PMDB) garantiu à Casa que o serviço de abastecimento público para a região noroeste foi normalizado desde o dia 11 e que a falta de água se deu por falha mecânica no poço do Centro de Reservação 6. AA admite, porém, que o sistema de captação e tratamento do Codau está no limite, a cidade cresceu e os investimentos nessas áreas não acompanharam seu ritmo. Para dar uma solução ao problema o Executivo investirá R$116 milhões em várias frentes de trabalho.
O projeto de lei que concederá 30% de desconto na conta de água dos consumidores da região noroeste já está tramitando na Câmara e será levado a plenário também na próxima quarta-feira.