
O fenômeno levanta um alerta sobre a relação entre imagem corporal, hábitos alimentares e saúde mental, especialmente quando o processo ocorre sem acompanhamento adequado (Foto/Reprodução)
A busca por emagrecimento rápido, impulsionada pelo uso cada vez mais comum de canetas emagrecedoras, tem revelado um efeito que vai além da balança: a dificuldade de algumas pessoas em se reconhecer no próprio corpo após uma perda de peso acentuada. O fenômeno, observado por profissionais da área da saúde, levanta um alerta sobre a relação entre imagem corporal, hábitos alimentares e saúde mental, especialmente quando o processo ocorre sem acompanhamento adequado.
De acordo com o psicólogo Sérgio Marçal, o uso desses medicamentos muitas vezes reflete uma lógica imediatista. “As canetas vêm sendo usadas de um modo indiscriminado, que reflete inclusive a cultura do rápido, essa cultura de transformações rápidas com menor esforço. As pessoas têm aderido e conseguido perdas significativas de peso”, afirma. Apesar dos resultados aparentes, ele ressalta que o emagrecimento sem mudanças consistentes no estilo de vida pode trazer consequências.
Entre elas está a dificuldade de adaptação à nova imagem corporal. Em alguns casos, mesmo após emagrecer, a pessoa continua insatisfeita ou não se percebe de forma condizente com o corpo atual, o que pode indicar distorções de autoimagem. Esse quadro pode se aproximar de transtornos psicológicos, como o transtorno dismórfico corporal, exigindo atenção especializada quando há sofrimento significativo ou impacto na rotina.
Outro ponto destacado pelo psicólogo é o risco de manter padrões alimentares inadequados mesmo após a perda de peso. “Perder peso sem reeducação alimentar leva ao risco de retorno do ganho de peso, inclusive com um ganho maior do que aquele anterior ao uso da caneta. A pessoa pode ter um corpo magro, mas com uma mente compulsiva”, explica. Esse descompasso entre corpo e comportamento pode favorecer o chamado efeito sanfona e até o uso contínuo ou crescente da medicação.
Para evitar esses impactos, Marçal reforça que o uso das canetas deve ser parte de um cuidado mais amplo, que inclua acompanhamento médico, reeducação alimentar e suporte psicológico. Segundo ele, compreender os gatilhos do comportamento alimentar e trabalhar a relação com o corpo são etapas fundamentais para que o emagrecimento seja sustentável e não comprometa a saúde física e mental.