Cuidados paliativos acompanham medo, perda de autonomia, sobrecarga e luto, além dos sintomas físicos do tratamento
O impacto de uma doença grave vai além dos sintomas físicos. Medo, perda de autonomia, mudanças nos planos e sobrecarga de quem cuida também fazem parte da experiência e são acompanhados pelas equipes de cuidados paliativos do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), em Uberaba. O suporte psicológico alcança pacientes e familiares, inclusive no processo de luto.
A instituição mantém, desde 2015, um Ambulatório de Cuidados Paliativos voltado a pacientes adultos com câncer. Para adultos internados, o hospital conta também com um Grupo de Cuidados Paliativos. O trabalho envolve diferentes áreas da saúde e inclui o diálogo com a família sobre as necessidades de quem está em tratamento.
A proposta dos cuidados paliativos é aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida de pessoas com doenças graves ou que ameaçam a vida, considerando também o sofrimento emocional e as necessidades dos familiares. No ambulatório, o atendimento reúne profissionais de medicina, psicologia, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, serviço social e nutrição.
Segundo a psicóloga Wanessa de Araújo Maria Oliveira, do HC-UFTM, o diagnóstico pode alterar não apenas a rotina, mas a maneira como o paciente percebe a própria identidade. Medo, ansiedade, insegurança, tristeza e dificuldade para compreender o que está acontecendo estão entre as reações observadas nesse período.
Ao longo do tratamento, as perdas podem se acumular: da saúde, da capacidade de trabalhar, da independência e de papéis antes exercidos na família. Há ainda o sofrimento diante de um futuro diferente daquele que havia sido planejado. O acompanhamento psicológico busca oferecer espaço para que o paciente fale sobre essas mudanças, respeitando sua história, seus valores e seu tempo.
“A família vivencia seus próprios medos, angústias, mudanças de rotina, sobrecarga e processos de luto”, afirma o psiquiatra Vinicius dos Santos Sguerri, do HC-UFTM.
Esse acolhimento permite aos familiares abordarem sentimentos que, muitas vezes, têm dificuldade de expressar diante do paciente. O medo da perda, a culpa, a sensação de impotência e os conflitos que surgem durante o adoecimento também precisam de atenção, conforme o especialista. Os vínculos familiares e a espiritualidade podem contribuir para enfrentar esse processo.
Para Wanessa, o acompanhamento busca preservar a comunicação, as escolhas e a qualidade de vida, mesmo diante das limitações impostas pela doença. Isso não significa eliminar todo sofrimento, mas permitir que ele seja reconhecido e cuidado.
O tema ganha destaque neste sábado (10), quando coincidem o Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado em 10 de outubro, e o Dia Mundial de Cuidados Paliativos, lembrado no segundo sábado do mês.