Com a chegada do ano-novo, os impostos já começam a bater na porta do brasileiro e os gastos com as festas de fim de ano também deixam recordações na fatura do cartão de crédito. É hora de repensar o orçamento familiar, esticar daqui e dali para conseguir pagar o IPTU, o IPVA, além do seguro obrigatório e taxa de licenciamento do veículo. Para quem tem filhos, a dor de cabeça é ainda maior com a lista de materiais escolares e o reajuste nas mensalidades do colégio, que podem chegar a 10%. Segundo o economista Cássio Silveira, a primeira coisa que os chefes de família devem fazer neste momento é colocar no papel todas as contas a pagar, incluindo impostos, dívidas remanescentes do ano velho e as contas tradicionais do mês (água, luz, telefone, internet, alimentação). “É um período onde devemos ter cautela para não prejudicar o orçamento de todo o resto do ano. Quem tiver uma boa reserva de dinheiro guardado no banco deve quitar os impostos com parcela única e dentro do prazo para descontos”, explica. Uma boa reserva, conforme o especialista, significa ter guardados de quatro a seis salários recebidos durante o ano. Ou seja, quem ganha R$ 1mil por mês deve ter de R$ 4 mil a R$ 6 mil no banco. Mas essa é uma realidade de poucos. E para quem está na “corda bamba”, a dica é parcelar os impostos e priorizar o pagamento de contas com maiores taxas de juros. “Dívidas com cartões de crédito e cheque especial geram muitas despesas em função da cobrança de juros, então devem estar entre as prioridades, juntamente com as contas tradicionais”. Cássio alerta, ainda, para o perigo dos empréstimos nesta época do ano. “Quem estiver pensando em pegar empréstimo para quitar os impostos em parcela única e garantir os descontos pode acabar contraindo mais dívidas, pois os juros do cheque especial, entre outras modalidades de crédito, estão em média na faixa de 8%. Isso, ao longo dos meses, se torna infinitamente maior que o desconto dos impostos no pagamento à vista. Ou seja, nesse caso, o melhor é parcelar o IPTU e o IPVA”, orienta. Para se chegar mais tranquilo em 2010 com relação aos gastos extras do novo ano, o economista aconselha que se planejem os gastos. “As pessoas precisam ter bom senso antes de gastar. Há uma grande tendência de boa parte da população a atender desejos imediatos. Sem planejamento, o dinheiro entra no orçamento e é a gasto sem que se faça um controle de prioridades. A ideia é de que se faça um planejamento com base no aumento do patrimônio líquido, ou seja, conforme diminuem as dívidas, não se façam outras. Poupe mais e planeje os investimentos. Assim é possível começar o ano com reserva na conta bancária”, conclui.