Funcionários do sistema de transporte coletivo de Uberaba tinham paralisação programada para a manhã desta quinta-feira em virtude do impasse com os empresários do setor. Os representantes das empresas do transporte coletivo apresentaram ontem uma proposta de 8% de reajuste salarial e 40% no vale-alimentação, entretanto não foi aceita pela categoria, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário, que deliberou pela paralisação do serviço.
Segundo o presidente do sindicato, Lutério Antônio Alves, cerca de 700 funcionários trabalham no transporte público de Uberaba, divididos nas empresas Líder e Viação Piracicabana. “Estamos preparados, hoje pela manhã nenhum motorista ou cobrador vai trabalhar. Ficaremos nas portas das garagens”, afirmou Lutério na noite de ontem. A empresa Líder está situada na avenida Deputado José Marcus Cherém, 1.130, e a Piracicabana, na avenida Jovita Pinheiro, 680. A paralisação foi programada para o período de 4h30 às 8h30, podendo se estender até 11h.
Entretanto, vale lembrar que o transporte coletivo é considerado serviço essencial, portanto, em caso de greve ou paralisação, é necessário manter 75% do atendimento do serviço. “Estou informado dessa norma, entretanto, para cumpri-la, é necessário que seja encaminhado algum ofício ou notificação determinando a liberação dos funcionários”, afirma Lutério, ressaltando que caso receba o documento, os funcionários irão trabalhar.
Ainda na noite de ontem a administração municipal distribuiu informação dando conta que notificou o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário para manter o funcionamento de pelo menos de 75% das linhas de transporte coletivo durante os horários previstos da paralisação. O documento, encaminhado à entidade, está baseado na legislação (nº 7.783/89) que dispõe sobre o exercício do direito de greve. Pela lei, o transporte coletivo é considerado serviço essencial.
Por outro lado, o diretor da Piracicabana, Carlos Roberto Cherulli, afirma que esta é a única proposta da empresa, 8% para reajuste salarial e 40% no vale-alimentação, que o eleva para R$7, porém os sindicalistas deliberaram que para evitar a paralisação seria necessário um reajuste de 9% no salários e R$8 no vale-alimentação. “Nós não podemos propor mais que este valor, já estamos no limite, o maior gasto que temos hoje é com a mão-de-obra. Se dermos o aumento que a classe está solicitando, o impacto seria no mínimo de 7% a 8% no custo da empresa. Não queremos aumentar a tarifa do ônibus, que irá refletir no bolso do consumidor. Se os funcionários pararem mesmo hoje, iremos retirar a proposta e deixar a situação nas mãos da Justiça, e cobrar dissídio”, afirma Cherulli.