
O governador relatou situações semelhantes em outras estruturas do estado e citou a necessidade de intervenção imediata em casos de risco (Foto/Divulgação)
Imagens recentes da ponte sobre o Rio Grande, que liga Rifaina a Sacramento, mostram um contraste na conservação da estrutura: enquanto o lado paulista recebeu recapeamento e nova sinalização, o trecho mineiro segue com buracos e desgaste na pista. Em entrevista ao Pingo do J, o governador de Minas Gerais, Mateus Simões, afirma que quem passa pelo local não quer saber se a ponte é de Minas ou de São Paulo e que alguém precisa assumir a responsabilidade pela solução do problema.
Segundo Simões, situações como essa se repetem em diferentes pontos de Minas Gerais, especialmente em pontes onde há indefinição sobre a responsabilidade entre governos federal, estaduais e concessionárias. Ele explicou que já chegou a acionar perícias e intervenções emergenciais em outras estruturas para evitar interdições, destacando que o objetivo é impedir que a burocracia impeça soluções.
O governador relatou situações semelhantes em outras estruturas do estado e citou a necessidade de intervenção imediata em casos de risco. “Chegou para mim que iam interditar a ponte. Os bombeiros foram lá e falaram: tem uma trinca e a gente não sabe o que é. Nós não somos peritos de ponte, mas está trincada. Então interdita a ponte”, afirma. Ele explicou ainda que, diante da situação, acionou perícia e medidas emergenciais. “Contratei a perícia, rodei em volta da ponte e depois resolvi o problema daquela ponte”, disse.
O governador afirmou que situações de indefinição sobre responsabilidade se repetem em Minas Gerais. “Eu tenho a outra ponte da Jaguara, eu tenho a ponte da Delta. Falei: quero a lista de todas as pontes que não têm dono dentro do estado de Minas Gerais. Já localizamos duas”, relata. Simões também mencionou diálogo com o governo paulista para divisão de responsabilidades em estruturas de divisa.
Ao comentar o caso específico da ponte entre Rifaina e Sacramento, ele criticou a execução parcial das obras. “Você não só faz até a metade, como depois faz um laudo dizendo que não pode fazer o resto”, disse. Ele também citou dificuldades técnicas relacionadas à obra. “Foi feito um recapeamento até a metade da ponte e depois um laudo dizendo que não pode continuar a obra porque o peso está muito grande em cima da estrutura”, ressalta.
O governador ainda destacou a idade e a falta de manutenção das estruturas. “As pontes estão muito velhas, gente. Sem manutenção também. São pontes de mais de 50 anos que há mais de 25 não têm manutenção”, disse. Simões reforçou que a gestão das pontes precisa ser definida de forma prática. “O usuário não quer saber disso. Quem passa por lá não quer saber se a ponte é de Minas ou de São Paulo. Alguém vai ter que fazer a obra”, afirma.
Ele também disse que o governo tem buscado assumir intervenções para destravar obras. “Eu já assumi o compromisso de resolver aquele problema inteiro, desde o trevo até São Paulo”, completa.
Com a decisão judicial, os Departamentos de Estradas de Rodagem (DERs) de Minas Gerais e São Paulo devem realizar intervenções emergenciais e apresentar, em até 90 dias, um plano completo com diagnóstico da estrutura e cronograma de obras. Até lá, motoristas que utilizam a travessia seguem convivendo com as diferenças entre os dois lados da ponte e cobrando uma solução definitiva.