Cerca de 80% dos produtores rurais que contrataram crédito em Uberaba já buscam renegociar as dívidas, segundo informações repassadas por instituições financeiras durante reunião do Conselho Municipal de Safra Agrícola. O dado foi citado pelo advogado do Sindicato dos Produtores Rurais de Uberaba (SRU), João Henrique Vieira da Silva, ao explicar o pedido da entidade para que a Prefeitura reconheça situação de emergência econômica no setor agropecuário ao Pingo do J na Rádio JM.
Segundo João Henrique, o cenário é resultado do descompasso entre a produção e a rentabilidade obtida pelos produtores. “A produção foi boa, foi satisfatória, foi alta. Entretanto, quando a gente coloca na balança, o custo de produção está muito alto e o valor da commodity está muito baixo”, afirma. Para ele, a combinação acaba gerando déficit para os produtores e dificuldade para honrar os financiamentos.
O advogado explica que o decreto solicitado pelo sindicato teria como principal objetivo auxiliar os produtores na busca por prorrogação ou renegociação das dívidas junto às instituições financeiras. A medida, segundo ele, serviria como comprovação de que a atividade rural atravessa uma situação econômica que justifica o pedido de alongamento dos pagamentos.
“O decreto de emergência ajuda a comprovar no banco que, de fato, o produtor rural e a atividade econômica do produtor rural hoje passam por uma situação de risco que justifica esse pleito”, diz João Henrique. Ele acrescenta que a intenção é permitir que os produtores consigam renegociar os débitos e permaneçam na atividade.
Na avaliação do advogado, o problema é agravado pelo custo do crédito e pela burocracia para acesso aos recursos. “O plano Safra, em montante, está alto. Mas a porcentagem de produtores que estão conseguindo está baixa. E a taxa de juros está alta”, afirma. Ele aponta ainda a combinação entre juros, encarecimento dos insumos e queda nas cotações das commodities como fatores que pressionam o caixa das propriedades.
Entre as atividades mais afetadas, João Henrique cita os produtores de grãos e os fornecedores de cana-de-açúcar. Para os arrendatários, a situação é ainda mais difícil: além dos custos de produção e dos financiamentos, eles precisam pagar pelo uso da terra. Há dois anos, o arrendatário pagava, em média, 16 sacas por hectare ao arrendante; hoje, para que as contas fechem, esse valor teria de ficar em torno de 10 sacas por hectare.
O advogado afirma que a dificuldade atinge produtores de diferentes portes, embora os pequenos tenham maior acesso a programas como o Pronaf e outras linhas de crédito com condições subsidiadas. “Do pequeno ao médio e o grande estão todos em dificuldade”, afirma. Na avaliação dele, a pecuária apresenta um comportamento diferente neste momento. “Hoje a pecuária está mais estável. Ela vive um bom momento”, diz.
João Henrique também sustenta que a eventual edição do decreto não representaria impacto financeiro direto para a Prefeitura. Segundo ele, o reconhecimento da emergência econômica teria caráter de apoio aos produtores nas negociações com os bancos e poderia contribuir para a permanência das atividades rurais, mantendo empregos e renda gerados pelo setor no município.

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