PRÊMIO JABUTI 2026

Escritora de Uberaba é semifinalista do Prêmio Jabuti 2026 com romance de estreia

Fernanda Teixeira Ribeiro concorre na categoria Autor Estreante – Romance com “Cantagalo”, publicado pela Todavia

Débora Meira
Publicado em 30/09/2026 às 15:17
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(Foto/Reprodução)

A escritora Fernanda Teixeira Ribeiro, de Uberaba, está entre os dez semifinalistas do Prêmio Jabuti 2026 com “Cantagalo”, seu romance de estreia. Publicada pela Todavia, a obra concorre na categoria Autor Estreante – Romance e leva para a ficção personagens e conflitos ambientados em Minas Gerais no período pós-abolição. 

A lista de semifinalistas foi divulgada nesta terça-feira (29) e reúne dez concorrentes em cada uma das 23 categorias da premiação. A próxima etapa será anunciada em 14 de outubro, quando serão conhecidos os cinco finalistas de cada categoria. Os vencedores serão anunciados em 27 de novembro, durante cerimônia na Sala São Paulo, na capital paulista. 

Para Fernanda, a indicação representa o reconhecimento do trabalho desenvolvido no romance, mas também pode ampliar o alcance da obra e aproximá-la de novos leitores. “O Prêmio Jabuti é um reconhecimento muito importante e uma chancela da qualidade literária da obra. Na prática, ele traz mais projeção e visibilidade para o livro e pode ajudar ‘Cantagalo’ a chegar a novos leitores”, afirma. 

Ambientado no início do século XX, “Cantagalo” acompanha uma família marcada por um casamento arranjado entre a herdeira de uma fazenda de café e o filho de uma mulher escravizada com um homem branco. A partir dessa união, a narrativa percorre diferentes gerações de mulheres, além de personagens que trabalham e vivem nos arredores da fazenda. 

O romance se passa em Minas Gerais, no período posterior à abolição da escravidão, e aborda relações familiares, desigualdade, racismo e as marcas deixadas pela escravidão na sociedade brasileira. 

A escolha do período histórico está relacionada ao interesse da autora pelas transformações ocorridas na passagem do século XIX para o século XX. O contexto reúne o pós-abolição, o início da República e mudanças econômicas e sociais em Minas Gerais, ao mesmo tempo em que estruturas sociais herdadas do período escravocrata permaneciam presentes. 

“Cantagalo” também foi vencedor do Prêmio Revelação Literária UCCLA-CM Lisboa. 

A relação da autora com Minas Gerais também passa pela própria trajetória. Fernanda nasceu em Uberaba, passou parte da infância e da adolescência em São Gotardo, no Alto Paranaíba, e retornou à cidade, onde viveu até os 18 anos. 

As experiências desse período contribuíram para a construção do universo de “Cantagalo”, especialmente nas relações entre os personagens, nas paisagens e nos costumes retratados no romance. “Era um cotidiano muito rico em vivências: as festas religiosas, os vizinhos, os parentes, o contato próximo com a vida rural”, conta. 

Expressões e formas de falar preservadas na memória também acabaram influenciando a construção da narrativa. “Há algo das paisagens, das relações, dos modos de falar e de viver que permaneceu no meu imaginário e acabou encontrando espaço na construção do livro”, afirma. 

Além da literatura, Fernanda atua como pesquisadora na área de neurobiologia das emoções e como jornalista e editora de ciência. A formação profissional, segundo ela, também influencia a maneira como os personagens são desenvolvidos. 

Apesar de abordar questões históricas e sociais, a autora afirma que não busca estabelecer uma única interpretação para o romance. A intenção, segundo ela, é permitir que cada leitor construa sua própria relação com os personagens e os conflitos apresentados na narrativa. “Muitas pessoas me escrevem contando que reconhecem no livro histórias que poderiam ter acontecido em suas próprias famílias”, conta.

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