O número de crianças envolvidas com a criminalidade vem crescendo a cada ano. O Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente de Uberaba não tem o levantamento exato desses registros, mas, conforme os atendimentos, é possível perceber que eles aumentaram significativamente.
De acordo com a conselheira tutelar Maria José Silva Assunção, os crimes praticados por crianças e adolescentes vão desde pequenos furtos, tráfico até assalto à mão armada. “Durante os plantões realizados pelas conselheiras tutelares é raro o dia em que não temos que ir até à delegacia pelo menos uma vez para receber meninos que cometeram atos infracionais.”
Segundo a conselheira, em grande parte dos chamados a família não comparece à delegacia para buscar os menores por ter se tornado rotina. “Infelizmente, os pais não vão receber os filhos e, neste caso, o Conselho Tutelar é acionado. Enquanto as conselheiras conversam com o responsável para assinar o documento de entrega do menor, ele já saiu de casa para cometer outro ato infracional.” Na última semana, a conselheira atendeu quatro adolescentes que haviam furtado um carro. “Eles tinham todas as artimanhas para cometer o furto.”
Um dos motivos que levam as crianças tão precocemente a cometerem crimes é a falta de estrutura familiar. “Muitas vezes o pai ou a mãe é alcoólatra ou usuário de drogas e a criança cresce naquele ambiente. Há casos em que os pais não têm autoridade para chamar atenção dos filhos, ou ainda acreditam que o ato cometido pela criança não tem gravidade. Os pais acabam passando a mão na cabeça do filho. Depois de duas ou três vezes que o crime é cometido, a criança não aceita que os pais a corrijam.”
Para Maria José, a situação vai ficar cada vez mais complicada com o surgimento de novas drogas e a falta de controle da família. “Antigamente, pessoas de baixa renda estavam mais propícias a casos como esse. Hoje não existe diferença, a droga e a criminalidade têm atingido também famílias de classes sociais altas. Talvez a solução esteja no fortalecimento da base familiar.”