CIDADE

Falta de leitos chega à rede particular e pronto-atendimento é fechado

Falta de leitos não é problema exclusivo da saúde pública. Pelo mesmo motivo, hospital particular fechou as portas do pronto-atendimento

Geórgia Santos
Publicado em 12/06/2014 às 20:53Atualizado em 19/12/2022 às 07:20
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Falta de leitos não é problema exclusivo da saúde pública. Pelo mesmo motivo, hospital particular fechou as portas do pronto-atendimento. Quem procurou o Hospital São Domingos na noite de segunda e na manhã desta terça-feira teve que buscar outra unidade ou voltar para casa sem atendimento, pois, segundo informações repassadas pelo vigilante, que estava na porta do pronto-atendimento, o hospital não iria atender novos pacientes, pois não havia leitos. O fato chamou a atenção e muitos questionaram este posicionamento.

Neste período do ano, por conta do inverno e o tempo seco, surgem as viroses, e a incidência de doenças respiratórias é maior. Os hospitais públicos e particulares recebem uma quantidade superior de pacientes, o que gera demora no atendimento e, por consequência, a falta de leitos. A medida adotada por um dos hospitais particulares da cidade foi o fechamento do pronto-atendimento por certo período, até que fosse restabelecida a situação. A justificativa dada aos usuários que chegavam ao local era a falta de leitos. O hospital estava lotado.

A situação foi repassada ao secretário de Saúde, Fahim Sawan, que estranhou a atitude tomada pela instituição. “Isso já aconteceu no passado, o número de doentes era maior que a capacidade do hospital. E neste momento há novamente um aumento considerável de pacientes nos hospitais e o clima também favorece o surgimento de algumas doenças. Entretanto, a atitude administrativa de um hospital deve-se a eles e acredito que também terão de prestar contas ao Conselho Regional de Medicina (CRM) pela postura adotada. Pois se você fecha as portas e omite socorro, isso não é uma atitude correta”, explica o secretário, ressaltando que o hospital é independente, pode tomar a medida que achar necessária, mas, como profissional da área, entende que nenhum hospital pode negar socorro a qualquer paciente.

Fahim comentou também sobre a realidade atual do município quanto à falta de leitos. De acordo com ele, para atender a toda demanda, que também abrange as 27 cidades da macrorregião atendida por Uberaba, seriam necessários mais de 900 leitos, e hoje são apenas 500. E, mesmo com a construção do Hospital Regional, vão faltar 250 leitos. Há mais de 20 anos não se constrói um hospital na cidade, e os únicos prontos-atendimentos na cidade, no setor público, são as duas UPAs. “Uma medida que tomamos - e que faz parte da linha de trabalho do governo do prefeito Paulo Piau - foi incentivar hospitais privados a construir na nossa cidade. Hoje, na rede privada, temos cerca de 130 leitos. Por isto também é preciso construir hospitais privados e o prefeito está avaliando a possibilidade de construir um condomínio da saúde, onde serão oferecidos incentivos para atrair um grupo privado para que construa na cidade uma unidade, assim como acontece com as empresas de forma geral”, explica.

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