Venda de medicamentos por supermercados foi vetada, em 2012, pela então presidente Dilma Rousseff, com base no risco de automedicação e uso indiscriminado
Reprodução/Elias Oliveira
Para a medida entrar em vigor, é preciso que o estabelecimento tenha profissionais farmacêuticos
Venda de medicamentos em supermercados é questionada por farmacêutico. No início desta semana, o presidente Michel Temer disse que examinará pedido recebido do setor supermercadista para a venda de medicamentos que não exigem prescrição médica. Contudo, a possibilidade de a medida entrar em vigor tem gerado debates, uma vez que para a venda desse tipo de produto é preciso ter no estabelecimento profissionais da área.
No evento em que participou, Temer disse, para uma plateia de empresários do setor supermercadista, que levará em conta a proposta e vai examinar o assunto. Entretanto, a venda de medicamentos por supermercados e outros estabelecimentos que não farmácias foi vetada em 2012 durante governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Na ocasião do veto ela citou o risco de automedicação e uso indiscriminado de medicamentos.
O farmacêutico Elmar Humberto Goulart disse ser totalmente contra a venda de medicamentos, mesmo que não necessite de prescrição médica, em supermercados. “Mesmo que sejam medicamentos rotineiros, como por exemplo, uma Novalgina, o estabelecimento deve ter um farmacêutico responsável. Penso que se a medida vigorar, vai estimular o uso de medicamento sem orientação médica”, explica o farmacêutico.
Elmar encara a medida como um desrespeito ao setor. “Já existem tantas farmácias nas cidades, principalmente aqui em Uberaba, e com essa possibilidade, isso é ruim para o setor”, destaca Elmar.
Por outro lado, o diretor da Associação Supermercadista de Uberaba, Matusalém Alves, explica que a medida se torna interessante diante das normas que virão acompanhando. “Se os empresários seguirem a legislação, não vejo nenhum problema, mas é preciso que seja balizado dentro do que é exigido, ou seja, é preciso se adequar para venda de determinado produto. Por isto, acredito que deverá ser uma medida adotada por grandes supermercados, que irão instalar uma espécie de farmácia dentro do estabelecimento, assim como possui açougue e padaria”, explica.