DÍVIDAS DUVIDOSAS

Feirantes cobram explicações sobre dívida de R$ 16,3 mil e crise em Associação de Uberaba

Reunião marcada para segunda-feira discutirá as contas da entidade após corte de energia, questionamentos sobre despesas e cobrança por prestação de contas da antiga diretoria

Sarah Parro
Publicado em 24/07/2026 às 18:17Atualizado em 24/07/2026 às 18:21
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Uma reunião marcada para segunda-feira (27) deverá discutir a situação financeira da Associação dos Feirantes de Uberaba, que enfrenta questionamentos sobre dívida de R$16,3 mil com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), as despesas realizadas em nome da entidade e também sobre a prestação de contas da antiga diretoria.

O encontro será realizado às 14h, no anfiteatro da Prefeitura de Uberaba. A associação está sob administração provisória de uma Comissão de Vacância desde a renúncia da então presidente e ainda aguarda a eleição de uma nova diretoria.

A cobrança por esclarecimentos ganhou força após o fornecimento de energia ser interrompido em algumas das feiras. Em denúncia encaminhada ao Jornal da Manhã, um comerciante afirmou que os trabalhadores precisaram recorrer a imóveis vizinhos para manter parte das atividades em funcionamento.

“Teve que apelar para os vizinhos para poder puxar energia para a feira, porque o padrão está sem energia por falta de pagamento. Cortaram a energia da feira. Estão todos os feirantes prejudicados”, relatou.

Segundo os próprios feirantes, o fornecimento foi restabelecido posteriormente. Na denúncia, eles atribuem o problema a falhas na administração da entidade e cobram a apuração da origem das dívidas e das despesas.

Integrante da Comissão de Vacância, responsável pela administração provisória da associação até a realização da eleição, informou que a situação está sendo analisada e que o grupo não se manifestará antes da reunião. A expectativa é que o encontro trate da prestação de contas e da situação financeira da entidade.

Notificação aponta dívida e questiona despesas

Os questionamentos foram formalizados por quatro feirantes, representados pelas advogadas Lauanda Loce e Márcia Karnopp, que encaminharam uma notificação extrajudicial à Comissão de Vacância.

Conforme o documento, a associação teria dívida de R$16,3 mil com a Cemig. Desse total, segundo os associados, R$9,8 mil seriam referentes ao consumo de energia das feiras, enquanto o valor restante estaria relacionado a imóveis particulares sem ligação com as atividades da entidade.

A notificação também menciona ordens de corte e afirma que os desligamentos começaram pela feira do bairro Volta Grande. Ontem aconteceu a interrupção do serviço na feira do bairro Fabrício. Os associados ainda pedem a apuração de despesas que teriam sido realizadas com o CNPJ da associação.

Procurada pela reportagem, a advogada Márcia Karnopp não se manifestou até o fechamento desta matéria.

O prazo dado para que a ex-presidente apresentasse a prestação de contas terminou na segunda-feira (20). Ela havia renunciado ao cargo uma semana antes, durante reunião com associados, em meio aos questionamentos sobre a gestão.

Desde então, a associação permanece sem diretoria eleita e aguarda a realização de um novo pleito.
 

Secretaria acompanha situação

Em nota, a Secretaria Municipal do Agronegócio (Sagri) informou que uma eventual interrupção no fornecimento de energia pode comprometer o funcionamento das feiras, especialmente as atividades que dependem de equipamentos elétricos.

De acordo com a pasta, os próprios feirantes já adotam providências para regularizar a situação junto à Cemig. A secretaria acrescentou que, após a eleição da nova diretoria, pretende ampliar o diálogo com a entidade para buscar soluções relacionadas ao funcionamento da associação.

A Sagri também afirmou ter sido comunicada sobre a assembleia solicitada pelos associados e se colocou à disposição para atuar como interlocutora entre as partes, caso seja necessário, respeitando a autonomia da entidade.

Questionada sobre a dívida e as denúncias de corte no fornecimento, a Cemig informou que não poderia fornecer detalhes sobre o caso.

“As informações solicitadas dizem respeito a relações comerciais protegidas pela legislação vigente e, por esse motivo, são de acesso restrito aos respectivos clientes”, respondeu a companhia.

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