Torneiras furtadas, cercas rompidas logo depois de reparos, banheiros depredados, equipamentos destruídos e até dejetos deixados no chão e dentro de piscina fazem parte da rotina enfrentada pela Fundação Municipal de Esporte e Lazer (Funel) nos espaços públicos de Uberaba.
Registros encaminhados ao Jornal da Manhã pelo presidente da fundação, Carlos Dalberto Júnior, o Belzinho, mostram que o vandalismo não está concentrado em apenas um endereço. Segundo ele, a repetição dos danos obriga a equipe a retornar aos mesmos locais e compromete a manutenção dos cerca de 225 espaços esportivos e de lazer sob responsabilidade da Funel.
Entre os casos mais recentes está o Complexo Esportivo Murilo Pacheco. Conforme Belzinho, a fundação já fechou duas vezes neste ano os buracos abertos na cerca do local. Ainda assim, a estrutura voltou a ser rompida.
“A gente arruma, e eles abrem de novo”, afirmou. De acordo com o presidente, a Funel desenvolve ações e campanhas com jovens e adolescentes nos locais mais atingidos, mas as depredações continuam.
As fotografias enviadas à reportagem também mostram banheiros com peças danificadas, torneiras arrancadas, estruturas de proteção rompidas e sujeira deixada em espaços de uso coletivo. Em um dos registros, dejetos foram encontrados dentro de uma piscina.
Em junho de 2025, a Funel informou que entradas forçadas ocorriam quase diariamente, muitas vezes pelos mesmos pontos da grade. Na ocasião, também foram relatados furtos de torneiras, danos em banheiros e portas, além de pichações. O parque contava com vigilância noturna, mas a dimensão da área dificultava o acompanhamento integral.
A possibilidade de instalação de câmeras chegou a ser anunciada como alternativa para reduzir os episódios. Em maio deste ano, entretanto, ainda não havia definição sobre o monitoramento. Frequentadores voltaram a relatar furtos de torneiras, desaparecimento de papel higiênico, pichações e danos recorrentes nos banheiros e áreas comuns.
O cenário cria uma espécie de ciclo para a administração: a equipe repara cercas, substitui peças e recupera estruturas, mas parte dos danos reaparece antes que os servidores consigam avançar sobre outras demandas.
Atualmente, a Funel conta com cinco servidores próprios para executar os serviços de manutenção nos aproximadamente 225 espaços sob sua responsabilidade. Segundo Belzinho, eles desempenham diferentes funções e contam com apoio da Secretaria de Serviços Urbanos e Obras (Sesurb).
O presidente reconhece que a fundação precisa melhorar a conservação dos equipamentos, mas afirma que parte da capacidade de trabalho é consumida justamente pela necessidade de repetir serviços provocados por vandalismo.
“Não desistimos. Dentro do possível, vamos fazendo nossa parte de cuidar das pessoas e tentando cuidar dos espaços”, declarou.
Belzinho disse ainda que a fundação recebe cobranças dos 21 vereadores e que o tratamento das demandas não depende da posição política de cada parlamentar. “Para mim, não importa se é oposição ou situação. O que importa é o que o vereador está trazendo, qual é a demanda e se ela, de fato, vai atender a população”, afirmou.
Além das respostas imediatas, ele diz que a equipe prepara levantamentos e planejamento para reduzir a recorrência dos problemas no futuro, mesmo que os resultados sejam percebidos apenas nas próximas gestões.
O impacto do vandalismo no patrimônio público não se restringe aos espaços esportivos. Nas estações tubo do transporte coletivo, danos causados em motores, placas e outros componentes custaram R$ 54,8 mil em 2024. No ano seguinte, a troca de portas, motores, peças e mão de obra ultrapassou R$ 80 mil. Mesmo durante a implantação do sistema mais resistente, uma das novas portas teve o policarbonato quebrado.