Fêmea de tatu-canastra e o filhote foram flagrados, no início do mês de novembro, percorrendo as estradas de uma das áreas monitoradas por biólogos do Projeto Tatu-canastra, em Uberaba. De acordo com o programa, o episódio é um alívio enorme para os profissionais que atuam nos estudos da espécie, dado o risco de extinção.
O flagrante foi feito por um trabalhador que atua na área de monitoramento do Projeto. No vídeo, é possível ver os animais atravessando uma estrada de terra. Após alguns instantes, a mãe sai do quadro e aparenta cavar um buraco no chão.
Apesar do final feliz, a descoberta do animal não começou bem. Uma pessoa anônima denunciou ao Projeto a caça de uma fêmea, há alguns meses, em uma área que fica a menos de 20 quilômetros de onde os tatu-canastras foram filmados. Segundo o denunciante, quando os caçadores desistiram, foi possível constatar a presença de um filhote na barriga da mãe.
O biólogo e coordenador do Projeto Tatu-canastra Uberaba, Raul Sbroia Neto, explica que o comportamento reprodutivo do tatu-canastra requer estudos ainda mais abrangentes. Pesquisas realizadas pelo Projeto Tatu-canastra, executado pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê) e o Instituto de Conservação de Animais Silvestres (Icas), no Mato Grosso do Sul, identificaram que o período gestacional de um tatu-canastra é de cinco meses, nascendo um filhote por gestação.
“Estes estudos apontam que o tatu-canastra atinge a maturidade sexual entre seis e nove anos e tem um único filhote a cada três anos, tornando muito baixa a taxa de crescimento da população da espécie, que ainda sofre com atropelamentos e com a perda de habitat. Ou seja, um indivíduo retirado da natureza pode levar à extinção da espécie nesta região. Por isso, esse registro tem um peso enorme para nós do projeto. Além de mostrar que a espécie continua sobrevivendo em Uberaba, nós nos sentimos ainda mais responsáveis por tentar impedir a caça do tatu-canastra dentro da nossa área de atuação”, complementa Raul.
Em Uberaba, o Projeto Tatu-Canastra atua desde 2006. Uma parceria com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e o Instituto Agronelli de Desenvolvimento Social (IADES), a partir de 2020, contribuiu para a ampliação dos trabalhos, que ainda estão em fase de observação da espécie.
A espécie. O tatu-canastra é o maior da espécie, podendo medir até um metro e meio de comprimento, do focinho à cauda, e pesar até 60 quilos. Uma das suas principais características são as garras em formato de foice que podem medir até 15 centímetros, sendo a maior de qualquer mamífero vivo. Garras perfeitas para cavar tocas e buracos tão grandes como o tatu-canastra, que podem chegar até 50 centímetros de largura e até 5 metros de profundidade. Essas “casas” feitas pelo tatu-canastra mantém uma temperatura constante de 24Co, favorecendo até
outras 70 espécies de vertebrados que utilizam esses buracos como refúgio ou ponto de descanso, por isso, essa espécie fossorial e solitária, é considerada o engenheiro do ecossistema.
O tatu-canastra é classificado como vulnerável pela Lista Vermelha da IUCN (International Union for Conservation of Nature's), há 15 anos.